A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 03/08/2019

Em meados de 2018 o Brasil e outros países latino-americanos foi alvo de uma onda de refugiados venezuelanos que vieram em busca de condições de vida e trabalho mais salubres. Nesse episódio, destacaram-se opiniões divergentes sobre a imigração, as quais, muitas vezes foram contrárias a vinda de imigrantes, carregadas de um teor xenófobo, isto é, aversão à presença de estrangeiros. Desse  contexto, suscitam-se discussões acerca dos prejuízos que as práticas xenófobas podem apresenta para a figura do estrangeiro e para a sociedade brasileira. Nesse sentido é vital adotar uma atitude de repudio a tal prática no país seja por representar a discriminação, seja por sua dimensão anti-ética.

No que concerne ao primeiro ponto, é relevante salientar que a xenofobia demonstra a intolerância ao diferente e impede a integração social entre os setores da sociedade. Para elucidar essa questão, o filósofo Zygmunt Bauman, afirma que quanto mais tempo as pessoas gastam com “suas iguais” em relações superficiais e casuais, maior será a perda de habilidades de compreensão, conciliação e negociação, impedindo o alcance de um “modus vivendi” cooperativo que harmonize a vida de todos. Em decorrência disso, já esquecidos, os requisitos necessários para lidar com a diferença, a perspectiva de conviver com os estrangeiros é vista com crescente ansiedade e apreensão, impossibilitando a coesão social entre os indivíduos e edificando um muro intangível que os separa.

Já em relação ao segundo ponto, é coerente pensar que a xenofobia é a manifestação da violência simbólica na comunidade, aumentando seus riscos sociais. Quanto a isso, o sociólogo Pierre Bourdieu cunha o termo “violência simbólica” em referencia à prática de violência intangível e indireta que atua por mecanismos dissimulados, causando danos psicológicos nas vítimas. Posto isso, infere-se que a violência simbólica está presente nos ataques verbais feitos a estrangeiros, uma vez que os discursos de ódio contra esse grupo vêm crescendo no país a medida em que mais estrangeiros vão chegando. Nessa ótica, a agressão dissimulada favorece, entre seus danos, a exclusão e marginalização de um grupo que se enxerga como inferior em virtude da posição de vulnerabilidade em que se encontra.

A par do que foi apresentado, mudar a atual visão de mundo é algo desafiador, no entanto, mostra-se imperativo, na verdade, inadiável. A respeito disso, cabe ao Governo Federal, por ser a entidade responsável por tratar de assuntos e adotar medidas de abrangência nacional, em parcerias com ONG’s,  a criação de projetos de absorção do fluxo de imigrantes refugiados no país. Isso pode ser feito por meio de programas de interiorização, projetos de profissionalização e capacitação e promoção de empregos a membros desse grupo. Tudo com o objetivo de romper com a cultura xenófoba ao incluir o estrangeiro na sociedade, enxergando-o como elemento produtivo e proveitoso, eliminando estigmas.