A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 24/08/2019
O livro de Clarisse Lispector, “A hora da Estrela”, mostra a vida da nordestina Macábea em busca dos seus sonhos em São Paulo, sofrendo preconceito por conta da sua fonética e costumes. Entretanto, na contemporaneidade, casos como o da ficção estão cada vez mais comuns, instaurando a Xenofobia no país. Destarte, convém analisar como o etnocentrismo e a sociedade motivam a irraização da problemática no Brasil.
Inicialmente, é notável que comunidades ao se colocarem como superiores à outras, torna-as uma das motivadoras do preconceito, impondo um regime segregacionista. De acordo com Darcy Ribeiro, antropólogo e sociólogo, o brasileiro é etnocêntrico, isto é, coloca uma etnia como predominante em relação a outra. Dessa forma, explica o motivo de muitos brasileiros serem intolerantes a alguns grupos justamente porque praticam o etnocêntrismo, assim, é inaceitável, que a população tenha papel nocivo na Xenofobia.
Ademais, a sociedade, ao absorver e reproduzir sistemas de outros momentos da história, corrobora com a permanência da problemática no país. Segundo Gilberto Freyre, sociólogo brasileiro, em “Casa-grande e Senzala”, evidencia que, durante a formação colonial, as diferenças eram vistas com repulsa. Lê-se, dessa maneira, que a falta de aceitação denunciada pela sociologia brasileira ainda é uma cruel realidade que afeta as diferentes culturas e se manifesta por meio da indiferença e do descaso da sociedade contemporânea.
Fica evidente, portanto, a extrema importância da intervenção estatal para neutralizar as assimetrias entre a população brasileira. É preciso, então, que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Tecnologia, criem páginas na internet que informem de forma clara e objetiva, por meio de verbas públicas, as diferenças no país, tendo como intuito, um maior acesso as divergências para diminuir o preconceito. Assim, haverá um caminho traçado para uma sociedade emancipada.