A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 14/10/2019

Em 1928, o cronista brasileiro Carlos Drummond de Andrade publicou, na revista Antropofagia, o poema “No meio do caminho”. Nele, o autor retrata empecilhos que encontrou em seu percurso, o que evidencia os obstáculos presentes na sociedade que impedem o desenvolvimento coletivo. Fora da narrativa, nota-se que o Brasil muito se assemelha ao contexto literário: o problema da xenofobia existe e prejudica o progresso do corpo social. Diante disso, convém analisar as causas da hodierna problemática.

A princípio, cabe analisar a negligência estatal como fator inerente ao impasse. Isso remete ao fato de que, a partir da impunidade com os que praticam a discriminação, o seu combate é minimizado, não havendo alguma interferência para mudar a situação. Tal problemática ainda é intensificada pela insuficiente ação do Governo na promoção de postos de denuncia específicos para o combate à xenofobia, uma vez que atingiria as raízes da situação. Desse modo, sem as ações dessa instância, a questão perpetua na sociedade.

Ademais, a propagação de valores de preconceitos é um fator que potencializa a problemática. Consoante Hannah Arendt, em “A banalidade do mal” a população tende a realizar cada vez mais atitudes intolerantes e destrutíveis pois tais ações são naturalizadas na sociedade, como a intolerância à diferente cultura. Assim, o meio em que se encontra o indivíduo tende a ditar até que ponto práticas são consideradas aceitáveis, o que abre margem para que atos discriminatórios sejam cada vez mais banalizados. Portanto, uma mudança nos valores da sociedade é essencial para que o preconceito enraizado no país cesse nos dias atuais.

Torna-se evidente, portanto, que o problema é grave e não pode ser ignorado. Para mudar esse quadro, além da criação de postos de denúncia específicos para casos de xenofobia, as escolas devem atuar na educação social das crianças, por meio de palestras e aulas específicas que abrangem o tema. Isso pode ocorrer, por exemplo, por meio de conversas com psicólogos e agentes da lei, a fim de educar, desde cedo, os estudantes a não tolerarem discriminação contra o diferente. Com essa medida, que não exclui outras, espera-se que não haja mais pedras no caminho evidenciado por Drummond.