A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 20/10/2019

O Existencialismo de Sartre pondera a relação entre liberdade e responsabilidade social, no qual ações de um indivíduo ou instituição refletem em todo corpo social. Análogo a isso, a crescente onda de xenofobia revela uma faceta da sociedade que destoa da imagem associada ao brasileiro, que expõem a incapacidade em aceitar à miscigenação e entende o refugiado como uma ameaça social. Diante da problemática exposta, cabe a análise das causas e efeitos da xenofobia no país, além de buscar medidas resolutivas adequadas ao mundo contemporâneo.

A priori, deve-se atentar que embora o Brasil seja um país com uma enorme diversidade de culturas e raças nem todas são bem quistas. De acordo com Pierre Bourdieu, “a partir do momento que a pessoa se insere em determinado grupo social ela irá adquirir os comportamentos e valores desta classe”. Deste modo, percebe-se que, o indivíduo intolerante ao migrante compõe um grupo que não aceita a pluralidade da identidade social brasileira. Neste sentido, reproduz contra o refugiado, atitudes excludentes carregadas de ódio, as quais rotineiramente são usadas para atingir grupos que se encontram em um faixa de vulnerabilidade social.

Outrossim, o expatriado além de enfrentar o sectarismo intolerante terá que lidar com a desconfiança social. Segundo Émile Durkhein, “a sociedade é um organismo, onde cada indivíduo é um órgão que possuí uma função e precisa estar em perfeita sintonia com os demais para sobreviver”. Neste caso, utilizando à analogia do sociólogo francês para o contexto atual, parte do corpo social considera o imigrante um antígeno dentro deste sistema, um ser estranho sem função que precisa ser combatido e expulso. Desta forma, os protestos contra a entrada de venezuelanos e haitianos explicita à ideia de que a melhor maneira de evitar a contaminação é criando barreiras.

Portanto, torna-se evidente que atitudes de combate à xenofobia no Brasil são necessárias. Compete ao Poder Executivo investir na inclusão do refugiado à sociedade, ao oferecer condições dignas de acolhimento, trabalho e moradia, e que estejam articuladas a uma rede de integração entre o migrante e a população, para que ocorra um intercâmbio de cultura, valores e costumes. Deste modo, será possível garantir que, de fato, ocorra a redução da xenofobia. Sendo desta maneira, uma conquista social, assim como ressaltou Sartre.