A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 21/10/2019

Discussões envolvendo xenofobia têm sido levantadas há muito tempo. Mas é fato que, nos últimos anos, em um contexto de mundo globalizado, com tráfego cada vez maior de pessoas entre nações, este problema tem se agravado. No âmbito brasileiro, essa questão é ainda recente e vem ganhando espaço nas discussões com a vinda de refugiados. A ideia do brasileiro enquanto “homem cordial”, cunhada por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, parece ser menos válida quando se discute a xenofobia em âmbito nacional: a hospitalidade e receptividade dão lugar a à frieza, à marginalização e, frequentemente, à violência.

Primeiramente, essa rejeição ao estrangeiro parece vir de generalizações. Discursos como “muçulmanos são terroristas”, contendo uma visão muito despersonificada de um grupo de pessoas, são comuns e contribuem para a disseminação da violência, tanto física, quanto verbal e estrutural - esta última, referente à não inserção do estrangeiro nos espaços geográficos e sociais do país para onde emigra.

Outrossim, o filme Era o Hotel Cambridge, da diretora Eliane Caffé, ilustra muito bem esta última questão ao retratar, através de uma narrativa que mistura ficção e documentário, o dia-a-dia de refugiados sírios que, sem lugar para ir, acabam em uma ocupação do Movimento sem teto. O que o filme apresenta são situações bem próximas da realidade: uma tendência a rejeitar o estrangeiro e o marginalizar nos centros urbanos.

Portanto, a principal saída para essa questão está na educação. No ensino básico, seria interessante levar imigrantes de diferentes países para palestrarem, conscientizando os alunos acerca da problemática dos discursos xenofóbicos e dos efeitos negativos que esses discursos representam no dia-a-dia daqueles que buscam refúgio no Brasil. Somente assim seria possível retornar ao “homem cordial” e instaurar na mentalidade coletiva a ideia de que seres humanos não são ilegais.