A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 02/11/2019

Em agosto de 2015, um grupo de haitianos foi baleado na cidade de São Paulo. Definida como a aversão a pessoas ou coisas estrangeiras, a xenofobia sofre aumentos significativos a cada ano. Embora seja conhecido pela diversidade étnica e cultural, observa-se no Brasil a persistência de mecanismos responsáveis pela perpetuação de ações discriminatórias contra imigrantes e refugiados. Se por um lado o país carrega a fama de ser cordial e receptivo, o aumento do número de denúncias recebidas pela Secretaria Especial de Direitos Humanos demonstram a triste faceta de um povo que ainda não aprendeu a respeitar as diferenças.

Em primeiro lugar, é necessário analisar os efeitos da globalização sobre a conjuntura exposta. Em Disneylândia, canção interpretada pela banda Titãs, observa-se o retrato de uma população miscigenada: “Filho de imigrantes russos casado na Argentina com uma pintora judia”. Nesse sentido, observa-se que o processo de mundialização não só possibilitou a integração entre as diferentes etnias como também foi determinante para a intensificação dos fluxos migratórios. Dados apurados por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelam que poucos lugares no mundo passaram por uma miscigenação tão intensa quanto o Brasil. Nesse sentido, percebe-se que a intolerância não decorre por falta de contato, mas pela pouca compreensão de outras culturas.       Outrossim, o advento do capitalismo e a quebra da bolsa de Nova York em 1929 fomentaram a gênese de uma ideologia nacionalista e aversa aos estrangeiros. Da mesma forma, a recessão do mercado de trabalho, provocada pela crise de 2008, instigou um espírito de competitividade entre os trabalhadores, que, inteirados da situação econômica e temerosos pela possibilidade do desemprego, enxergam o imigrante como um inimigo. Ressalta-se, ainda, que a prevalência de diversos estereótipos contribuem para a formação de opiniões estigmatizadas e, por vezes, descabidas. Assim, observa-se a necessidade de se extinguir pensamentos enraizados sob pretextos de uma falsa superioridade.

Portanto, torna-se imprescindível a adoção de políticas mediadoras a fim de contornar essa realidade. Na busca pela garantia de segurança a todos os cidadãos, urge que o Ministério da Justiça promova a criminalização da propagação de notícias inverídicas mediante a criação de um projeto de lei. A medida deverá contemplar, ainda, a vigência de sanções ponderadas a fim de que os praticantes sejam punidos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação fomentar o interesse dos estudantes por meio de atividades a serem realizadas na rede pública e privada com a valorização dos hábitos e crenças de outros povos. Assim, a cordialidade do povo brasileiro deixará de ser uma falácia para se tornar uma realidade tangível.