A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 16/04/2020

Os cientistas políticos afirmam que o mundo está cada vez mais próximo de alcançar o status de aldeia global. No entanto, ao observar a atual conjuntura nacional e internacional, verifica-se que essa alusão está longe de efetivamente ser alcançada tendo em vista o crescente número de manifestações xenófobas na política, na mídia e, sobretudo, na sociedade. Esse panorama é produto do terror psicológico promovido pela impresa sobre o tema e por políticos que defendem a politica antiimigratória. Essa metástase precisa ser contida sob pena de levar todo o organismo social a falência.

Inicialmente, a postura xenofóbica é explicada pelos geógrafos como sendo um sentimento de pertencimento exacerbado, o qual tem como objetivo proteger seu território, mais característico dos seres irracionais. Esse comportamento é abordado pelo filósofo Zygmunt Bauman, em sua obra “estranhos à nossa porta” na qual classifica o temor aos estrangeiros como um “pânico moral” instaurado na sociedade pela grande mídia, em síntese, a segurança econômica vale muito mais que vidas. Enquanto isso, muros e cercas de arame farpados são erguidos, homens e crianças morrem afogadas e tudo acontece com o consentimento tácito da população. Logo, a história se repete nos exatos termos de como aconteceu na Alemanha nazista.

Em segunda análise, verifica-se que a própria União Europeia prática, de forma estampada, atos contínuos de xenofobia ao não permitir a adesão da Turquia ao bloco econômico. Esse impedimento decorre do receio de aumento da imigração turca e da possível influência islâmica dentro da União Europeia, dizem os especialistas sobre o tema. De fato o muro de Berlim foi destruído, mas paredes invisíveis ainda dividem as nações. Assim, não é de se estranhar que a população europeia adote comportamentos xenófobos, pois a maior representação política e econômica naquele continente a pratica de forma deliberada.

Face ao exposto, conclui-se que a imprensa e a política são os principais agentes que podem despertar e influenciar o comportamento xenófobo na sociedade. Por isso, para que o Brasil contenha o avanço desse câncer, cabe ao Estado, através do seu Poder Legislativo, elaborar projetos de emenda à constituição que criminalize expressamente a xenofobia, aplicando penas mais austeras a quem a praticar, evitando, dessa forma, a divulgação de material de cunho xenofóbico, assim como impedindo a ascensão de políticos ou partidos políticos simpatizantes a essa causa maligna.Por fim, cabe ainda a agencia nacional de publicidade promover campanhas nos meios de comunicação a fim de conscientizar a população sobre o tema. Essas medidas contribuíram para impedir a proliferação desse sentimento execrável em nosso país.