A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 18/07/2020

O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne à questão da xenofobia no Brasil, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na situação. Nesse sentido, o preconceito contra estrangeiros tem como causa a arrogância e encontra espaço na impunidade.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a sensação de superioridade presente na questão. A Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do Nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. No contexto brasileiro atual, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na esfera da xenofobia, cuja base é uma forte discriminação. Assim, acabam ocorrendo casos inaceitáveis como o do refugiado sírio Mohamed Ali, agredido verbalmente, hostilizado e humilhado em Copacabana. Sob essa ótica, o agressor, um brasileiro com discursos xenofóbicos, o chamava de homem bomba e assassino de crianças, além de gritar inúmeras vezes “sai do meu país”.

Além disso, a xenofobia encontra terra fértil na impunidade. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. De acordo com dados do site “Carta Capital”, entre 2014 e 2015, os casos de denúncia por xenofobia aumentaram 633%, pulando de 45 para 333 registros, um número alarmante. Todavia, quase não há registros de denúncias que prosseguiram ou de xenófobos punidos. Desse modo, tem-se, como consequência, a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva dos indivíduos que são de fora de determinados locais.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para esse fim, é necessário que o Ministério da Justiça e o Ministério da Saúde, juntos, realizem duplamente ações de punição e de atendimento psicológico aos agressores e às vítimas de xenofobia. Enquanto este se daria em postos de saúde, por meio de acompanhamento de um profissional especializado em tratamento pós-trauma, aquele aconteceria por meio da agilização dos processos já abertos, a fim de garantir que o cenário de impunidade seja modificado. Dessa forma, o caos entrópico contido na problemática poderá ser mitigado.