A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 09/07/2020

Na América, um dos países mais intolerantes em relação à imigração é os Estados Unidos, que constantemente implanta exércitos nos territórios fronteiriços para evitar a entrada de Mexicanos no país. Na América Latina, no entanto, especificamente no Brasil, embora a aversão aos imigrantes não seja institucionalizada, observa-se, por parte da população, que a xenofobia é constante e merece uma atenção mais profunda. Assim, faz-se necessário a abordagem de tal impasse sobre a ótica seletiva da sociedade brasileira que, aliada aos problemas econômicos e momentos de crise, destrói a imagem do país acolhedor.

A priori, é indispensável tomar o problema por meio da perspectiva de que os cidadãos nacionais são seletivos. Nesse sentido, observa-se que o Brasil foi fundado numa conjuntura eurocêntrica, de modo que há uma supervalorização dos valores europeus. No entanto, isso se revela um problema, haja vista que o imigrante, ao chegar em terras tupiniquins, acaba sendo alvo de prenoções que o julgam pelo seu país de origem, que muitas vezes é marcado por problemas políticos, econômicos e sociais, diferentes do europeu. Como resultado, a atitude dos brasileiros se mostra profundamente seletiva, baseada em noções que são previamente formadas e servem de base para a desmoralização do indivíduo diferente. Desse modo, tal construção deve ser diluída, para que o imigrante, que muitas vezes passou por momentos de tensão em seu país de origem, possa viver de forma plena, sem mais problemas do que já enfrentou.

Além disso, é de extrema importância resgatar o setor econômico como o principal fator de preconceito. Mormente, muitas vezes a atitude xenofóbica é fundada no medo das crises, que é exprimida por meio do discurso de que o imigrante, eventualmente, tem o poder de tomar o emprego dos brasileiros. Todavia, tal prerrogativa é insustentável, visto que segundo noticiado pelo jornal “Exame”, os refugiados acabam movimentando o mercado, estimulando o setor econômico a se desenvolver. Portanto, a ótica de que o imigrado toma o emprego do nativo deve ser findada, para que a discriminação para com o outro possa diminuir, e o país miscigenado acolha milhares de humanos, mantendo sua constituição  rica e heterogênea.

Em suma, medidas são necessárias para atenuar o impasse. Cabe ao Governo em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), promover campanhas de valorização aos imigrantes. Isso pode ser feito por meio de palestras nas escolas e campanhas publicitárias, que terão como finalidade a informação e a formação de cidadãos sem preconceito. Para que esse programa seja efetivo, é fundamental  a quebra de tabus, como o âmbito econômico, além de serem propagados de forma ampla, a fim de combater a problemática em sua totalidade. Assim, tende-se a construir um país acolhedor.