A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 12/07/2020

Em meio a realidades catastróficas, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica”, do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro aceso que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a xenofobia no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar as questões psicanalíticas e sociais que envolvem essa adversidade no país.        De antemão, percebe-se que o Poder Público se mostra negligente diante da falta de conscientização sobre a importância de se respeitar as pessoas tidas como diferentes. Isso porque um imigrante pode ter interesse de habitar no território brasileiro. Contudo, entender que pode sofrer agressões físicas e verbais por parte dos brasileiros apresenta-se como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante a xenofobia. Como prova, percebe-se a inércia de parcela da população em frente a ausência de fiscalização estatal, visto que falta supervisionar, com mais rigidez, a legislação que proíbe discursos preconceituosos contra grupos, como exemplo, os estrangeiros, o que pode prejudicar a integridade moral desses. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos indivíduos, comprometendo, dessa forma, o senso crítico desses.

Constata-se, finalmente que a xenofobia deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, o financiamento de palestras ministradas por profissionais da área da educação, objetivando, com isso, conscientizar a população acerca da importância do respeito ao diferente. Ademais, é fundamental sensibilizar a sociedade via organizações não governamentais, a fim de que o ódio ao estrangeiro não seja banalizado, o que pode ser potencializada por meio do Ministério Público Federal, através da fiscalização da lei que impede o discurso de ódio, com o objetivo de garantir a integridade moral dos estrangeiros. Dessa forma, assim como no quadro “Guernica”, seria possível “iluminar” o processo de resolução dos impasses existentes.