A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 14/07/2020

Na série “Anne With Na “E””, da Netflix, estreada em 2017 por Kathryn Borel, a personagem Ka’Kwet, uma jovem indígena de 12 anos, é vítima de xenofobia por meio de comentários agressivos e da não aceitação da permanência da jovem com sua família em solo canadense por parte da população habitante. Fora da ficção, é fato que esse cenário nefasto ocorre não só em razão da diversidade dos valores culturais no mundo, mas também devido à ideia de ameaça ao sucesso econômico do país. Logo, faz-se imperiosa a análise desse problema, com o intuito de mitigar as ações discriminatórias.

Em primeiro lugar, vale destacar que, de acordo com o educador brasileiro Paulo Freire no livro “Pedagogia do Oprimido”, ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. De maneira análoga, o trecho se assemelha ao atual cenário brasileiro, à medida que o preconceito cresce juntamente à essa educação entre os homens. Contudo, esse panorama lamentável acontece por meio do senso crítico gerado a partir das diversidades culturais espalhadas pelo mundo, em que religiões como o islamismo adotam uma ideologia contraditória ao catolicismo e, assim, criam visões ruins a respeito da nacionalidade ou crença.

Por conseguinte, vale ressaltar que, com base no poeta modernista brasileiro Carlos Drummond de Andrade no poema publicado em 1928 pela revista “Antropofagia”: “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Nesse contexto, através desse trecho, vê-se que determinado problema se configura como uma pedra- obstáculo- na vida de muitos brasileiros, pois ao imigrarem para outro país, os habitantes de certa região desenvolvem receios sob os imigrantes, por acreditar que podem interromper o sucesso econômico do país ao entrar para o mercado de trabalho e fazer com que o país se afunde. Além disso, o Programa Cidade e Alteridade realizou uma entrevista com alguns homens haitianos e descobriu-se que 60% sofrem de xenofobia, por certo, esse panorama se encontra até os dias atuais.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o governo, juntamente ao MEC (Ministério da Educação e Cultura), incentive as instituições de ensino a criarem projetos educacionais por meio de materiais didáticos que detalhem o funcionamento dessas ferramentas no ensino social. Somente assim, será possível combater a xenofobia no Brasil e, ademais, não ter mais casos como de Ka’Kwet na série “Anne With Na “E””.