A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 14/07/2020
O holocausto representou um dos grandes símbolos do nazismo, o qual repudiava toda e qualquer manifestação advinda dos judeus e pregava a homogeneização da raça ariana. Apesar de séculos de progresso, o repúdio pela miscigenação ainda faz parte da hodiernidade, servindo para justificar práticas intolerantes contra os imigrantes. Nessa égide, tal fator desencadeia-se, seja pelo etnocentrismo, ou medo da perda da nacionalização. Por esses motivos, subterfúgios devem ser engendrados para mitigar essa triste realidade.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que o Brasil é um dos países mais miscigenados do globo, segundo uma pesquisa realizada pela Unicamp em abril de 2018. Contudo, esse fato não isenta imigrantes ou até os próprios nativos que adotam culturas de fora de sofrer injúrias provenientes do etnocentrismo. Desse modo, os indivíduos acham que somente a cultura deles é válida, inferiorizando as manifestações culturais que vão de encontro com a padronização. Destarte, parafraseando Mahatma Gandhi, o respeito é algo intrínseco ao homem e tentar reprimi-lo é encarcerar a consciência. Entretanto, o que se vê é o oposto de respeito, em que os cidadãos optam por disseminar práticas xenofóbicas e repudiantes. Nesse óbice, enquanto medidas não forem adotadas, o Brasil nunca atingirá o progresso.
Faz-se mister ressaltar, ainda, que muitas pessoas valorizam o patriotismo e buscam defender a nacionalização de seus países. Nesse viés, os indivíduos veem os imigrantes como uma ameaça e temem que haja uma perda da identidade nacional ao haver um contato entre as diversas etnias. Nesse sentido, propagam discursos de ódio e atos violentos contra esses sujeitos, fazendo com que eles deixem o país. Nesse contexto, o livro ‘‘Sapiens’, de Noah Harari, discorre que o indivíduo é um ser extremamente adaptável a sua sociedade. Nesse diapasão, as pessoas tendem a se moldar em padrões cada vez mais xenofóbicos e agressivos. Nessa diretriz, percebe-se que mudanças precisam ser postas em prática com veemência.
Sob o olhar físico de Isaac Newton, um corpo só é capaz de sair da inércia se uma força lhe for aplicada. Portanto, urge uma parceria entre as escolas e as famílias, realizando a inclusão da diversidade étnica em currículo escolar, por meio de palestras, debates ou peças teatrais que demonstrem o respeito às culturas alheias, tendo a participação de imigrantes que compartilhem suas experiências, e tenham os pais como platéia, com o fito de desmistificar a perda da identidade nacional e valorizar a cultura da miscigenação. Assim, os Hitlers brasileiros deixarão de existir e passarão a exercitar a solidariedade e o respeito a todos os povos.