A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 05/08/2020

O filme 22 de Julho, exibido pela plataforma de streaming Netflix, retrata a história de um jovem dinamarquês que planejou um atentado contra imigrantes por um período de treze anos. Assim, baseado em fatos reais, tal enredo retrata a realidade vivida por inúmeros estrangeiros, os quais sofrem com movimentos xenofóbicos, enfrentando agressões verbais e até mesmo físicas. Nesse cenário, o crescente sentimento de nacionalismo, associado a pensamentos preconceituosos, corroboram para o crescimento da xenofobia no Brasil e do aumento do sentimento de insegurança nos migrantes que aqui habitam.

Em primeiro momento, faz-se necessário entender o que é xenofobia e quem são os alvos dessa problemática. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR), xenofobia pode ser definida como “atitudes e comportamentos que rejeitam e até difamam pessoas, com base na percepção de que são estranhos a identidade nacional”. Dessa forma, o crescente sentimento nacionalista presente no pensamento de certos brasileiros, culmina na exclusão de imigrantes e refugiados no país, baseado em um ideal de superioridade e de um julgamento preconceituoso contra essas minorias. Logo, em julho de 2018, viralizou na internet um vídeo no qual um refugiado sírio era agredido por policiais paulistas, demonstrando a intolerância existente.

Ademais, consoante a dados fornecidos pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, em quatro anos houve um crescimento de mais de seiscentos por cento nas denúncias de xenofobia no Brasil, consolidando a insegurança vivida por esses imigrantes. Por conseguinte, movidos pelo medo e pela necessidade de emprego, estes acabam em condições precárias de trabalho, muitas vezes, análoga a escravidão. Além disso, cabe ressaltar que essa forma de repulsão, ocorre ainda entre os próprios brasileiros. Recentemente, ataques a região nordeste culminaram no movimento de caráter separatista “O sul é meu país”,  demonstrava tal ideal de superioridade entre as diferentes culturas, que consolidam o Brasil como um lugar socialmente diverso.

Assim sendo, é nítida a importância da conscientização acerca dessa realidade que vem adquirindo cada vez mais espaço e precisa ser contida. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério da Justiça, realizar o cadastramento correto desses imigrantes, tal como uma melhor distribuição territorial dos mesmos, evitando a super lotação em determinadas regiões brasileiras, a fim de garantir seus direitos civis e do trabalho. Outrossim, cabe ainda ao Ministério, promover campanhas; através de mídias digitais, cartazes, folhetos e outdoors que difundam o que são refugiados e porque devem ser ajudados, visando a compreensão e o fim de movimentos xenofóbicos, como ocorrido na Dinamarca.