A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu criticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tangem à questão da xenofobia no Brasil. Nesse contexto torna-se evidente que causas como, a falta de uma impunidade eficaz aos indivíduos que praticam atitudes xenofóbicas, e o sentimento de que estrangeiros não podem ocupar um território de que não são nativos, são responsáveis por agravar essa problemática. Portanto, medidas são necessárias para extinguir esse óbice.

Em primeiro lugar, nota-se que a carência de impunidade efetiva aos indivíduos que realizam xenofobia como um dos complicadores do problema. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar coletivo. No entanto, nota-se, que esse tipo de descriminalização presente no país rompe com as defesas do filósofo iluminista. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno século XXI, ainda se mantenha como um impasse social, violando o que é exigido constitucionalmente.

Igualmente, é importante destacar que, o Brasil é um país que possui uma miscigenação eminente, e que acabou se tornando a identidade nacional. Porém, com a formação de o sentimento nacionalista de que imigrantes ou refugiados não podem ocupar um território em que não são nativos, faz com que o sentido de valorização cultural seja incoerente, e vai contra a rica variedade de etnias brasileiras. Nesse mesmo contexto, vale ressaltar, que por volta de 2015, o índice de denúncias relacionadas à xenofobia cresceu mais de 600%. Logo, é necessário desfazer esse cenário desanimador e formar um país melhor para todos.

Conclui-se, portanto, que o confronto a xenofobia em território nacional é um obstáculo que precisa ser mitigado. Dessa maneira, é imperiosa uma ação do MEC, que deve, por meio da oferta de debates e seminários nas escolas – que tem como função social formar alunos reflexivos e conhecedores de que todos possuem seus direitos– orientar os seus alunos sobre combater as atitudes xenofóbicas do dia a dia, a fim de aprimorar o aprendizado quanto ao assunto e, dessa forma, estimular o senso crítico dos estudantes. Assim, observar-se-á uma população mais crítica e menos iludida.