A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a existência da xenofobia no país torna-o ainda mais distante do imaginado pela personagem. Nessa perspectiva, seja pela ignorância de parte da população, seja pela própria visão extremamente nacionalista, o problema permanece silenciosamente afetando uma boa parte da população e exige uma reflexão urgente.

É valido ressaltar, a priori, que a falta de entendimento dos brasileiros sobre a cultura e as condições de vida da população imigrante agrava a problemática em discussão. De acordo com a psicanalista brasileira Betty Milan “A única maneira de vencer a xenofobia é pela linguagem. Espontaneamente, nós gostamos daquilo que é semelhante. Para gostar do diferente, é preciso ouvi-lo”. Dessa forma, infere-se que, como essa população proveniente de diferentes países não possui voz e atenção suficiente para que sejam ouvidos, há, então, a impossibilidade de que os já habitantes do Brasil encontrem-se a par do que esses povos têm a dizer e informar. Dessa maneira, não compreendem os verdadeiros impactos da imigração no país e sua importância para essa população estrangeira.

Atrelado a esse contexto, pode-se destacar, também, a questão do ultranacionalismo, junto ao etnocentrismo, como um outro agravante do problema. Assim, muitos brasileiros acreditam que os estrangeiros podem causar consequências negativas na economia brasileira por ocuparem cargos de empregos que deveriam ser destinados aos nativos. Essa é uma visão errônea, visto que não há comprovações suficientes sobre os índices de desemprego possuírem ligação direta com as imigrações para o país. Dessa forma, mesmo o Brasil sendo uma nação miscigenada, ou seja, formada pela mistura de várias etnias - processo que se iniciou com a chegada de dos portugueses em 1500 – ainda há um grande preconceito enraizado na sociedade.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que o problema discorrido seja coibido. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC) - órgão que administra o sistema de ensino no Brasil - promover a divulgação de informações sobre os povos imigrantes. A ideia é que sejam mostradas as situações enfrentadas por esses povos em seus países nativos e por quais motivos eles precisam se abrigar no Brasil. Isso pode ser feito por meio de aulas e palestras, tanto para os estudantes nas escolas quanto para a população em geral. Dessa forma, notar-se-á a população brasileira mais consciente sobre o assunto e, consequentemente, a diminuição gradativa dos casos de xenofobia no Brasil.