A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 10/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com o quesito da xenofobia torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela exclusão de estrangeiros, seja pela a ideia de perder sua identidade cultural, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que a restrição de estrangeiros leva o país de encontro com essa concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, mediante à baixa atuação dos setores governamentais, o cidadão fica à mercê da própria sorte. Segundo a UNESCO, qualquer país só evoluirá quando houver políticas públicas eficazes para combater os problemas sociais. Portanto, o legado de negligência e ignorância frente à isenção de provenientes de outros países persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.
Em segundo lugar, é importante destacar que o medo de perde sua personalidade e sua etnia corrobora de forma intensiva para o entrave. Isso porque a entrada daqueles com culturas diferentes dentro de seus país pode fazer que a identidade cultural corrente seja deixada de lado pela adoção de novos hábitos e gostos culturais. Dessa forma, verifica-se que segundo o filósofo grego Sócrates o conceito de estrangeiros não existe, " Não sou nem ateniense, nem grego, mais sim um cidadão do mundo". Nesse sentido, é necessário que medidas imediatas sejam tomadas para que a sociedade de modo geral possa usufruir de seus direitos.
Portanto, faz-se necessário uma intervenção pontual no problema. Assim especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a xenofobia no Brasil. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que vivenciam tal problema. É possível, também, criar uma " hashtag " para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto. Talvez, assim, seja possível construir um país de que Policarpe pudesse se orgulhar.