A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista e acredita em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a xenofobia torna o país cada vez mais distante do imaginado pela personagem. Nesse âmbito, seja pela ineficiência do governo, seja pela negligência social, o problema exige uma reflexão urgente.

É necessário destacar, a priori, que a idealização de Quaresma distancia-se ainda mais da realidade brasileira, visto que os desmazelos das instâncias governamentais contribuem para a continuidade da problemática. Segundo Aristóteles, a política serve para garantir o bem-estar e a felicidade da população, contudo isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, o legado de negligência e ignorância em relação ao preconceito contra estrangeiros que estão, geralmente, relacionadas com questões sociais, históricas e culturais, persiste e impede que o país prospere rumo ao desenvolvimento social pleno. Assim, percebe-se que a teoria aristotélica nem sempre é aplicada na prática.

Ademais, é imperativo pontuar que a aversão de alguns indivíduos sobre determinado grupo representa um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade. Isso porque a xenofobia é fruto do desconhecimento de um indivíduo e surge acompanhada de estereótipos que reforçam o preconceito. Nesse viés, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Émile Durkheim, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Desse modo, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com a perspectiva de desenvolvimento de uma sociedade igualitária. Isso porque um sistema desigual, no qual são utilizadas atitudes e comportamentos violentos e discriminatórios, não favorece o progresso coletivo. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Diante disso, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao MEC (Ministério da Educação) orientar os alunos sobre a questão da xenofobia no Brasil, por meio de palestras e debates nas escolas – que têm como função social formar alunos reflexivos e conhecedores dos seus direitos e deveres - a fim de aprimorar o aprendizado quanto ao assunto e, dessa forma, estimular o senso crítico dos estudantes. Dessa forma, notar-se-á uma melhora no cenário nacional e maior aproximação do ideário de Policarpo Quaresma.