A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a xenofobia resulta em um país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela violência, seja pelo preconceito vivenciado por eles, o problema permanece afetando silenciosamente grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

A priori, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que a xenofobia leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, mediante a baixa atuação dos setores governamentais, o cidadão fica à mercê da própria sorte. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), qualquer país só evoluirá quando houver políticas públicas eficazes para combater os problemas sociais. Portanto, o legado de negligencia e ignorância frente à violência persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.

Outrossim, questões sociais estão intimamente ligadas à xenofobia. Nesse âmbito, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais, a qual é fomentada pelo preconceito contra pessoas de outras origens nacionais e de outras culturas. Logo, é mister providenciar uma reconfiguração no ensino para formar indivíduos conscientes e autorreflexivos, capazes de intervirem e melhorarem a sociedade em que vivem.

Infere-se, portanto, que a xenofobia no Brasil é um entrave que precisa ser mitigado. Desse modo, é imperiosa uma ação do MEC(Ministério da Educação e Cultura), que deve, por meio da oferta de debates e seminários nas escolas - que tem como função social formar alunos reflexivos e conhecedores de seus direitos e deveres, orientar os alunos sobre os principais alvo de preconceito, a fim de aprimorar o aprendizado quanto o assunto e, dessa forma, estimular o senso crítico dos estudantes. Assim, observar-se-á uma população mais crítica e menos frustrante.