A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2020

O processo de formação étnico do Brasil foi marcado, durante toda a história, pela vinda de estrangeiros imigrantes ao país, o que levou à criação de uma nação multicultural que, em tese, acolhe outras nacionalidades. Entretanto, durante as últimas décadas, a ideia de adoção de forasteiros tem cedido lugar à xenofobia e à aversão cultural, principalmente contra pessoas provenientes de territórios subdesenvolvidos (como haitianos) ou muçulmanos – este último, sobretudo após ataques de grupos terroristas (que se associam à religião islâmica para justificar práticas abusivas) na Europa e EUA. Essa tratativa injusta e generalizada contra os considerados “de fora” é sustentada pela associação desses estrangeiros aos problemas econômico-sociais do país, e tem como consequência a exclusão de pessoas inocentes. Portanto, é essencial o estudo e resolução dessa problemática

À priori, analisa-se que a vinda de imigrantes é tratada hoje como sinônimo de empecilho. Criou-se, durante os últimos anos, a ideia de que os denominados “gringos” seriam os causadores de crises econômicas e destruição, e que tinham como objetivo roubar/tomar empregos de nativos; eles estariam levando suas dificuldades às outras nações. Essa convicção, porém, é apenas uma maneira de substituir os causadores dos problemas econômico-sociais do país, que, na realidade, são processos históricos de administração, e não os migrantes. Como mostra o site de notícias Brasil de Fato, em publicação denominada “Crise econômica gera desemprego e dificuldades financeiras para imigrantes haitianos” (2017), os “forasteiros” também sofrem com a falta de trabalho em terras brasileiras, e, por serem geralmente menos escolarizados (dentre outros fatores, como a língua), não tomam os cargos dos nativos, situação que reafirma uma associação errônea aos vindos de fora.

Ademais, esse contexto xenofóbico injusto pode ocasionar a exclusão desses estrangeiros. Com a disseminação das ideias citadas no parágrafo anterior, há a sustentação de práticas xenófobas que fazem com que esses migrantes sejam postos em segundo plano, como não pertencentes, estranhos, não merecedores das mesmas tratativas de um brasileiro nativo, o que os impede diversos direitos como o acesso à educação, por exemplo, mostrado em um estudo realizado pela USP em 2014, intitulado “Imigrantes ainda são excluídos da educação básica no Brasil”.

Tendo sido apresentadas as principais causas e consequências do problema exposto, conclui-se a necessidade da adoção de práticas para a resolução da questão. Para tal, é preciso que o Governo utilize da mídia – que é a maior influenciadora das ideias individuais e dos movimentos sociais – para criar um consenso geral de aceitação aos estrangeiros, por meio de propagandas e reportagens que repudiem práticas xenófobas, afim de garantir a integridade e dignidade dos imigrantes.