A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2020

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nesse viés, entende-se que a xenofobia é um problema em questão na atualidade. Assim, é necessário analisar que seja pelo preconceito, ou então, pelo nacionalismo exacerbado, o entrave vem silenciosamente se agravando e precisa de meios para seu combate.

Primeiramente, cabe ressaltar que a aversão aos imigrantes constituí um fator central no que tange ao prejuízo da qualidade de vida dessas pessoas. Nesse sentido, calúnias e pensamentos incorretos passados adiante contribuem para a permanência de um estigma ruim sobre os indivíduos estrangeiros. Isso pode ser comprovado com eventos como o sofrido por Mohamed Ali, em 2014, no qual, o sírio, é hostilizado e acusado de ser “homem bomba” devido à sua nacionalidade. Logo, entende-se que o preconceito auxilia na perpetuação da problemática em discussão.

Em segundo lugar, a supervalorização do patriotismo dificulta a integração daqueles que não são brasileiros. Sendo assim, discursos que reafirmam a superioridade nacional e de seus originários acabam por fortalecer a xenofobia existente no pais. A exemplo temos a campanha veiculada, em 2015, pelo Ministério da Justiça, que pretende destituir esse conceito com fatos históricos, como a formação do povo brasileiro, que se deu a partir de uma grande miscigenação dos imigrantes que vieram substituir a mão de obra escrava. Enfim, conclui-se que a transformação do nacionalismo em um patriotismo consciente ajuda no enfrentamento da situação.

Em suma, o problema ainda existe e necessita de solução. Deste modo, cabe Governo fiscalizar a aplicação da lei 1459 -que prevê a penalidade àqueles que praticam a xenofobia- por meio da instituição metas aos fiscais, para que os indivíduos que sofrem com a exclusão e hostilidade por conta de sua origem consigam ser incorporados na sociedade. Portanto, poder-se-á atenuar a realidade atual próximo ao discutido por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.