A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 16/08/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange a questão da xenofobia no Brasil. Nesse contexto, tornam-se evidentes como causas o medo de uma ameaça econômica e a criação de estereótipos formulados pela população vigente.
Em primeiro plano, é válido citar o medo dos cidadãos brasileiros quanto à chegada de imigrantes, o que poderia acarretar em uma possível ameaça econômica, visto que os estrangeiros ocupariam as vagas de trabalho que seriam destinadas a população nativa. Todavia, segundo estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) referentes à escolaridade dos refugiados do Brasil, embora os mesmos possuam um grau de escolaridade acima da média brasileira, poucos conseguem validar seus diplomas ou trabalhar em sua área de conhecimento no país.
Todavia, pode-se ainda observar a existência da xenofobia entre os estados brasileiros, tendo como maiores vitimas os habitantes da região nordeste, sendo a tal quase completamente embasada em padrões estéticos, comportamentais e adotando como crença de que é um povo desinformado e miserável em todos os aspectos. Os nordestinos são frequentemente taxados por inúmeros estereótipos, como “cabeças chatas” para se referir a cearenses, ou por serem motivo de piadas, como a que relaciona os baianos à preguiça constante.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Cultura devem desenvolver palestras em escolas, para alunos do Ensino Médio, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre a xenofobia no Brasil e atingir um publico maior. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para a diferença, pois, como constatou Hannah Arendt: “A pluralidade é a lei da Terra”.