A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 19/08/2020

O livro ‘‘Extraordinário’’ de R.J. Palácio, retrata a luta constante do menino Auggie, que nasceu com uma deformidade facial, para ser aceito na sociedade, em meio a tantas desigualdades e discriminações. No Brasil a obra torna-se real através dos imigrantes, que são agredidos  gradativamente com práticas xenofóbicas, devido a esses carregarem alguns traços de seus países de origem. No entanto, essa é uma prática  que deve ser dizimada no país.

Inicialmente, vale destacar o quanto a xenofobia está inserida no indivíduo brasileiro. Entre 2014 e 2015, os casos aumentaram 633%, pulando de 45 para 333 registros recebidos pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, via plataforma Disque 100. Os mais afetados com o preconceito são os refugiados, devido aos brasileiros conviveram com seu pensamento medíocre, e acharem, que “todo árabe é terrorista”, ou, que “ todo jamaicano é maconheiro”. Desse modo, é perceptível, que essa atitude torna-se inversa ao ser cordial concebido a população do Brasil. A persistência de uma mentalidade racista em um país com um recente passado escravocrata e uma contínua marginalização dos negros na sociedade, o ódio aos imigrantes não-brancos se torna uma realidade brutalmente insatisfatória.

Além disso, é cabível destacar, que mesmo sendo considerado crime, garantido pela constituição cidadã de 1988, casos de xenofobia ainda ocorrem na esfera social. No ano de 2018, na cidade de Boa Vista uma família de venezuelanos refugiados estavam em sua residencia dormindo quando foram atacados por desconhecidos que jogaram uma bomba caseira, a família teve ferimentos graves e foram encaminhadas para o hospital da região. Ainda, tem-se a negligência do ambiente acadêmico na formação de cidadãos conscientes. De acordo com Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele, e o potencial transformador da escola é pouco utilizado. Falta aos alunos o conhecimento sobre os problemas atuais e o incentivo dos professores a ensinarem que todos devem ser tratados igualmente. O resultado disso, infelizmente, é a formação de pessoas carregadas de infâmia e preconceitos acerca de assuntos pouco ou jamais trabalhados, como a xenofobia.

Diante desse panorama, é essencial que políticas públicas sejam direcionadas para o combate à xenofobia no Brasil. Primeiramente, o Governo Federal deve instituir uma “Semana Nacional da Luta Contra a Xenofobia”, em que, por meio de palestras e propagandas educativas, seria promovida a conscientização quando ao respeito aos estrangeiros. As escolas devem promover seminários, para demonstrar que não há perigo algum em conviver com estrangeiros. Desse modo, transformando a canção do exílio, de, “minha terra tem palmeiras”, para, “nossa terra tem palmeiras”.