A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 06/12/2020

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito ao bem-estar social. Entretanto, em pleno século XXI, décadas após a fundação da ACNUR( Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados),ainda é possível identificar pessoas que sofrem preconceitos por serem estrangeiros. Hodiernamente, a falta de educação e alteridade da população brasileira e a negligência do Estado, impossibilitam que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.

Precipuamente, é notório que a educação é o fator principal de um país. Todavia, ocupando a nona posição na economia, segundo o Banco Mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e tal contraste é claramente refletido na xenofobia estrutural brasileira. Outrossim, com a ascensão de Getúlio Vargas à presidência e a busca de uma " identidade nacional", outros grupos que outrora não eram identificados com facilidade no Brasil, foram alvos de atos xenofóbicos pelo governo brasileiro, grande exemplo disso foi a descriminação contra imigrantes japoneses. Segundo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Dessarte, é necessário que com auxílio da educação algo seja feito para modificar essa conjuntura .

Faz-se mister, ainda, salientar a negligência estatal como impulsionadora do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, econômicas, políticas e a ausência de intervenção dos Estados nacionais são características da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, é fulcral analisar que o Estado Brasileiro nunca efetivou pautas de políticas públicas voltadas à melhor estruturação de imigrantes e refugiados, como previsto na Constituição Federal de 1988, sendo inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, desse modo, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a consolidação de um mundo melhor. Portanto, algo precisa ser feito para amenizar essa situação. Logo, o Estado, por meio do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deve criar o fundo de assistência ao imigrante e ao refugiado, com o auxílio de assistentes sociais municipais, efetuando distribuição de cestas básicas, promoção de auxílio moradia e consultas com psicólogos. Nessa perspectiva, o fito de tal ação é minimizar as dificuldades encontradas por imigrantes e refugiados no Brasil. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado , pois, conforme Gabriel o pensador , " Na mudança do presente a gente molda o futuro “.