A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 08/12/2020
“A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, fala sobre uma emigrante nordestina, que ao mudar-se para o Rio de Janeiro possui uma vida completamente miserável, excluída da sociedade. Fora da ficção, essa é uma realidade evidente no Brasil hodierno, uma vez que os migrantes internos, principalmente os nordestinos, sofrem diferentes tipos de atrocidades recorrentes da nação verde-amarela. Dessa maneira, é importante analisar essa intempérie sob duas vertentes significativas, o preconceito cultural/racial/social enraizado na federação e, também, as consequências geradas por esses fatos astronômicos.
A princípio, é importante destacar que a xenofobia é um fator que está enraizado na elitização da sociedade. Assim, tomando como analogia a obra cinematográfica “Que horas ela volta?”, pode-se notar que a protagonista, Val, é vítima dos ataques xenofóbicos, uma vez que saiu da sua região natal - o nordeste - e foi para a capital paulista em busca de melhores condições de trabalho, porém é surpreendida com o preconceito cultural sofrido, mulher fruto do Brasil xenofóbico que ainda é recorrente. Nesse viés, é notório que os episódios de aversão e, consequentemente, de maus tratos fazem parte do cotidiano de milhares de brasileiros, principalmente os migrantes nordestinos, uma vez que são surpreendidos com a falta de receptividade e respeito dos demais.
Além disso, cabe explanar que na segunda fase do modernismo, foi evidenciado o regionalismo, colocando sobre pedestal o nordestino, onde a migração foi ressaltada. Dessa forma, tomando como base as consequências que essas pessoas sofrem, podemos citar que são vítimas de trabalho com condições análogas a de escravidão, visto que com a despreparação e falta de conhecimento sobre miscigenação e cultura dos indivíduos brasileiros, ocorre a falta de conhecimento a respeito dos nordestinos, criando, portanto, um sentimento de aversão, preconceito e nativismo - com base na região em que vive. Assim, a xenofobia em questão no Brasil, causa-se uma série de problemas que precisam ser combatidos por meio dos órgão públicos responsáveis pela integração e patriotismo nacional.
Portanto, cabe ao Ministério da Cultura, por meio de palestras, eventos sociais e debates socioculturais, promover a integração e o melhor conhecimento a respeito das regiões brasileiras e dos povos que as habitam, tendo como objetivo evidenciar o que está explícito na Constituição de 88 - todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Somado a isso, cabe a mídia, por meio de ficção engajada, promover campanhas - cumprindo assim seu papel social - pautadas no reconhecimento de identidades culturais vigentes no país. Somenete assim a xenofobia será extirpada.