A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Para Giorgio Agamben, o estado de excessão, isto é, a supressão de direitos em casos esfecíficos, tornou-se cotidiano na realidade de certas pessoas, como os nordestinos e haitianos vítimas da xenofobia. Nesse viés, nota-se que o discurso xenófobo vigente é fundamentado na ótica regionalista e racista presente no Brasil. Logo, são urgentes políticas educacionais para mitigar essa mentalidade retrógrada de xenofobismo.

Nessa perspectiva, deve-se pontuar que, conforme o conceito do Poder Simbólico, de Bourdieu, a opressão de uma camada civil sob outra ocorre de maneira implícita e até normatizada. A esse respeito, a prática da xenofobia interna contra nordestinos é uma forma desse Poder, pois esses cidadãos são denegridos de forma normatizada no país. Afinal, em virtude do Nordeste ser retradado culturalmente pela visão do sertão seco e pobre, discursos xenófobos são disseminados, como ‘’nordestino é preguiçoso e miserável’’. Então, medidas educacionais urgem para atenuar a situação.

Além disso, a visão social racista corrobora para xenofobia contra refugiados negros, como haitianos, visto que há uma histórica discrepância entre o recepcionismo que foi feito para imigrantes brancos e pretos. Nesse contexto, insere-se a política varguista que fomentou a imigração européia com o discurso de ‘‘branquear’’ a população nacional, ao contrário, não houve estímulos políticos para a entrada de negros. Desse modo, devido a essa ótica cultural, haitianos são, muitas vezes, vítimas da aversão e ódio no Brasil. Em suma, é preciso educação para romper com esse panorama.

Portanto, uma solução plausível para reduzir a xenofobia será a criação do projeto ‘‘Faces do Brasil’’ pelo Ministério da Educação. Posto isso, com verbas federais, será implantada a gincana ‘‘Regionalismo Cultural’’ em todas as escolas públicas do país. Dessa forma, antropólogos e alunos vão praticar jogos, brincadeiras e debates sobre as diversidades culturais da nação, a fim de valorizar o multiculturalismo e abrandar a xenofobia. Ademais, a União deve divulgar campanhas que informem o civil sobre a negatividade da xenofobia racista. Assim, não haverá estado de excessão.