A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 04/03/2021
É indubitável que a vinda de imigrantes ao Brasil é crescente, assim como os casos discriminatórios em face deles. No entanto, a “aversão ao estrangeiro” se mostra seletiva, sendo perpetrado principalmente contra imigrantes negros, os quais são duplamente vulneráveis, pois mais que devido à sua nacionalidade, xenofobia, sofrem preconceito devido à cor da sua pele, racismo. Este preconceito acontece desde o século XVI, com a chegada de cerca de 5 milhões de africanos no Brasil, traficados pelos portugueses.
Primordialmente, Castro Alves, em seu poema “O Navio Negreiro”, relata as condições dos navios negreiros, os quais traziam escravos africanos para o Brasil. Cidadãos escolhidos justamente pela sua cor de pele. Consoante à cultura racista presente no país, é comum, por exemplo, a migração de europeus de um país para outro dentro do continente, sem que haja preconceito xenofóbico, quando se trata de pessoas brancas que deixam seus países. Mas a situação muda quando se trata de negros europeus que migram ou negros migrantes de outros continentes.
Em uma segunda análise, muitos haitianos e africanos vêm ao Brasil na esperança de viver em um ambiente sem racismo, ao adotar como residência um país majoritariamente negro, mas o cotidiano lhes revela espaços separados, políticas segregativas e racismo estrutural, acompanhados de xenofobia. De acordo com a Secretaria Especial de Direitos Humanos do governo federal, cresceram nos últimos anos as denúncias de xenofobia no Brasil. Violações dos direitos de migrantes e refugiados, ou seja, atos xenófobos, aumentaram 633% em 2014 e 2015, como por exemplo, perseguições contra haitianos, palestinos e nordestinos que vão para o sul do país.
Em vista dos fatos elencados, o Governo Federal deve organizar reuniões e ações a favor da integração dos estrangeiros no Brasil, destacando-se o Movimento em Prol de Imigrantes e Refugiados, fundado na Bibli-ASPA. Toda semana, integrantes desse movimento (em parceria com Ministério Público Estadual), que inclui juízes, advogados, professores, assistentes sociais etc., reúnem-se para pensar coletivamente em estratégias de acolhida, integração, educação, inserção no mercado de trabalho e acesso a serviços públicos. Com o propósito dos migrantes não serem excluídos ou separados do espaço social brasileiro por causa de sua cor.