A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 26/04/2021

O incentivo à imigração nos séculos XIX e XX, ao trazer para o país italianos, alemães e japoneses, contribuiu para a pluralidade étnica e cultural característica brasileira, em adição aos povos indígenas e afrodescendentes já existentes. Destarte, apesar dessa diversidade inerente ao território brasileiro, a questão da xenofobia permanece forte no Brasil do século XXI, manifestando-se seja por meio de agressões físicas, seja de práticas preconceituosas, direcionadas, principalmente, aos refugiados de origem árabe ou haitiana. Dessa maneira, tal cenário é resultado tanto da prevalência de uma cultura intolerante, quanto da difusão de imagens equivocadas, realizada pelos meios de comunicação, à respeito do imigrante.

Primeiramente, um comportamente xenofóbico é fruto de uma cultura desrespeitosa às diferenças. Consoante Yuval Harari, as culturas são parasitas mentais instalados involuntariamente na cabeça dos indivíduos. Portanto, é indiscutível a influência involuntária e parasita de uma cultura que é intolerante não só com o próprio brasileiro, mas também, sobretudo, com o imigrante, na permanência da questão da xenofobia no Brasil. Logo, há uma contradição entre a pluralidade étnica e as atitudes xenofóbicas contemporâneas, sendo necessárias medidas governamentais para resolver tal problemática.

Outrossim, é inegável o papel da mídia na construção e divulgação da imagem do imigrante. Desse modo, o fenômeno da globalização exibe um papel fundamental nesse processo, já que, ao invés de promover o acesso igualitário a diversas produções globais, apresenta-se extremamente excludente ao supervalorizar as produções, às vezes preconceituosas, do norte desenvolvido. Assim, estigmas associados ao imigrante, como a relação dos árabes com o terrorismo, são amplamente incorporados pela população do país, ampliando o número de casos de xenofobia no Brasil. Consequentemente, não há uma valorização da multiplicidade étnica e cultural característica do povo brasileiro.

Dessa forma, é indispensável a atuação do Ministério da Cidadania, aliado ao Ministério da Educação, no enfraquecimento da xenofobia no território. Diante disso, tais ministérios devem criar o Plano de Combate à Xenofobia, que irá, por meio da transmissão de produções cinematográficas de diversas partes do globo, na televisão aberta nacional, selecionadas por profissionais especializados,  não só desfazer uma cultura intolerante com os imigrantes, assim como descontruir a imagem preconceituosa, divulgada pelas produções de massa, quanto ao estrangeiro. Tais filmes devem também ser exibidos em festivais culturais bimestrais, realizados nos finais de semana, nas escolas públicas e particulares de todo o país. Em suma, por essas vias, o Brasil resolverá o problema da xenofobia, valorizando a sua diversidade populacional.