A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 30/05/2021

De acordo com Aristóteles, “a base da sociedade é a justiça”. Entretanto, o contexto do Brasil no século XXI contraria-o, uma vez que à questão da xenofobia no país demonstra-se como um ato de injustiça, o que desestrutura à base da socidade brasileira em detrimento da falta de empatia do corpo social. Nesse contexto, torna-se evidente o legado histórico presente na questão, bem como uma grande influência nesse impasse, vem em virtude do individualismo exarcebado.

Convém ressaltar, a princípio, que o legado histórico é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com Cláude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a questão da xenofobia no Brasil, mesmo que fortemente presente na contemporaneidade, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, que mostrou-se presente no período ditatorial, no qual o Estatuto do Estrangeiro - rompido apenas em 2017 - considerava-o como uma ameaça à segurança pública e nacional. Sob essa óptica, percebe-se a influência dos aspectos históricos do país sobre a persistência da xenofobia e ainda reflete o descaso governamental em reverter a situação, representada pela demora de décadas para início de reparações institucionais e legislativas para mudanças efetivas na política de migração, o que dificulta a resolução do problema.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman, defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo é observada na questão da xenofobia no Brasil, uma vez que a liquidez das relações sociais estão pautadas no sentimento de superioridade de povos sobre povos, a exemplo do esteriótipo criado acerca de nativos de países como a África, considerados “inferiores” por parte da nação, atitude essa que corrobora para a persistência do problema.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Para esse fim, o Goveno, órgão responsável pela seguridade dos direitos humanos, juntamente com o apoio midiático, devem desenvolver campanhas de valorização da empatia entre povos de uma mesma nação e de nações distintas, por meio de propagandas em emissoras de televisão e divulgação em redes sociais, a fim de dar ênfase ao tema e modificar essa realidade de injustiças, tendendo ao pensamento supracitado de Aristóteles.