A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 12/06/2021
Dentre as muitas percepções veementes de Victor Hugo, expostas no livro intitulado “As contemplações”, está a de que “o progresso da roda constante sobre duas engrenagens: faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”. Ao transcender estas palavras do poeta, dramaturgo e político francês para o atual cenário de xenofobia no Brasil, vemos que os estereótipos construídos pelos veículos midiáticos influenciam negativamente nos ideias nacionalistas de senso comum. Sendo assim, a conjuntura de historicidade do uso da propaganda em projetos xenofóbicos e a desregulamentação informacional das redes sociais acaba por explicitar ainda mais este conflito. Entretanto, deve-se ajustar algumas engrenagens, na máquina social, para mitigar este problema.
Ao longo da história, a humanidade vivenciou diversos episódios de nacionalismo exacerbado que encontraram na mídia o elemento propulsor de seus ideários xenofóbicos. Um dos mais notórios acontecimentos foi o Nazismo antissemita de Adolf Hitler, que antes e durante a 2ª Guerra Mundial utilizou da comunicação em massa para pregar sua ideologia genocida. Com esse panorama demarcado, é perceptível que apesar de ser raro a exposição aberta de discursos como o do líder alemão, ainda hoje as mídias sociais são terras férteis para grupos anacrônicos e antipluralistas. Sendo que, com o advento das redes sociais, a aglutinação de pessoas que apoiam esta nefasta ideologia foi facilitada. Desse modo, pondo em risco todo o progresso humanitário feito para frear atos xenofóbicos.
Ademais, é importante considerar a desregulamentação do território virtual como agente estimulante da desinformação acerca de outras etnias. À vista disso, é intuitivo a inobservância da Constituição Federal, em que é descrito na Lei 12.965 de 2014, a responsabilidade total dos usuários por publicações que possuem caráter degradante à imagem de outras pessoas. Todavia, é perceptível que a fiscalização dessas redes de comunicação não é efetiva na desarticulação de grupos que espalham notícias distorcendo a realidade vivenciada pelos imigrantes. Posto isso, é estritamente necessária uma intervenção social de equidade nesta problemática.
Em virtude dos fatos expostos e em consonância às palavras aqui pautadas, conclui-se que os esteriótipos degradantes relacionados aos grupos estrangeiros são irradiados através das mídias sociais. Assim, para ajustarmos essas “engrenagens”, é primordial que o Congresso Nacional projete uma lei que vise “filtrar” as Fake News nas redes de comunicação, em que seja feito uma parceiria entre o governo e as empresas midiáticas para coibir a disseminação de ideias xenofóbicas e de grupos que ferem as liberades indivíduais. Quando conseguirmos alinhavar ações de pluralidade e sociedade, conseguiremos tornar mais harmônica a vivência entre as diferentes etnias e culturas.