A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 13/10/2021
Ao longo do século XIX, o Brasil observou a entrada de imigrantes italianos, alemães e japoneses em seu território, o que representou um grande avanço para a diversidade étnico-social brasileira. Em contrapartida, esse panorama de progresso miscigenatório não foi o suficiente para tornar a sociedade integralmente inclusiva, visto que a xenofobia persiste, na contemporaneidade, como uma questão problemática no país. Desse modo, cabe analisar as origens preponderantes desse quadro discriminatório: o ultranacionalismo e a escassez de políticas públicas governamentais.
Diante desse cenário, é válido apontar a exacerbada visão nacionalista como um dos alicerces centrais do sentimento xenofóbico. A respeito disso, segundo a Sociologia, uma sociedade etnocêntrica é aquela que superdimensiona o valor de sua própria cultura e, assim, inferioriza populações estrangeiras. Nessa ótica, é factual que a hipervalorização da identidade sociopolítica brasileira, por grande parte da população, pode atuar como impulsionadora dos discursos de ódio contra imigrantes no país – como, por exemplo, os ataques aos médicos cubanos devido à divergência quanto ao regime político de seu país de origem. Logo, é evidente a necessidade de se diminuir o nacionalismo extremista para se combater discriminações como a supracitada.
Ademais, a escassez de políticas públicas tem relação causal direta com a problemática em discussão. Isso porque, de acordo com a declaração de Salamanca – da qual o Brasil é signatário –, a construção de sociedades igualitárias deve ser buscada por meio da promoção de políticas inclusivas, principalmente através da educação. Nesse sentido, é notório que, diante do aumento exponencial de denúncias de xenofobia nos últimos anos, o Brasil tem falhado na implementação efetiva de medidas que eduquem a população sobre a importância da inclusão de estrangeiros no país, o que evidencia o papel do Estado na resolução desse quadro dramático.
Portanto, é imprescindível que a caótica questão da xenofobia seja solucionada no Brasil. Para isso, com o objetivo de minimizar a difusão da visão ultranacionalista, é papel da Secretaria de Cultura, em parceria com o Ministério da Educação, a promoção de ações educativas nas escolas públicas brasileiras. Isso será feito por meio da criação da “semana de respeito aos estrangeiros” – que deve envolver palestras e debates sociológicos sobre inclusão e etnocentrismo. Dessa maneira, no médio prazo, o investimento constante em políticas inclusivas similares deve propagar o ideal de valorização de povos diversos e minimizar a discriminação xenofóbica no país.