A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 14/10/2021
Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hodiernamente, ao se deparar com a questão da xenofobia no Brasil, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete o prenconceito e a aversão da população brasileira aos estrangeiros e indivíduos de regiões distintas, assim, evidenciando uma grave mazela social que precisa ser extinguida, pois ela deturpa a harmonia comunitária. Portanto, é mister assentir que a consolidação do etnocentrismo no meio coletivo, adjunto ao descaso do Governo, são os responsáveis pela cristalização do imbróglio.
Em primeira instância, é fulcral anuir que a perenização do etnocentrismo no corpo coletivo é a razão para ocorrer a xenofobia, haja vista que, a prevalência de uma postura preconceituosa, a qual julga inferior uma cultura diferente da sua, considerando ela um absurdo, é motivo para haver uma hierarquização cultural. Dessa maneira, concebendo o preconceito e a aversão aquilo que é diferente entre as distintas culturas no Brasil, pois segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, os comportamentos característicos de uma determinada época são naturalizados, logo garantindo que esses sejam reproduzidos ao longo das gerações. Nesse contexto, é indubitável a necessidade de erradicar essa visão intolerante difundida na sociedade, dessa forma, coibindo as ações discriminatórias.
Em segunda análise, urge ratificar que o poder público se configura como responsável pelo cenário excruciante, tendo em vista que, ao não se mobilizar para combater o empecilho, ele se tornou complacente. Destarte, contribuindo para o progresso dessa adversidade na sociedade, ignorando sua obrigação com o povo brasileiro de garantir o bem-estar coletivo. Sob essa óptica, impende atribuir ao Estado o conceito de “Instituição Zumbi”, o qual foi criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para definir as instituições que não cumprem com suas funções e, no entanto, mantém a sua forma. Ademais, há uma violação à Constituição de 1988, uma vez que não é corroborado o direito ao respeito, logo acaba sendo comprometido os direitos prometidos, afetando negativamente a vida das pessoas.
Dessarte, para evitar um cenário semelhante ao do século XVII, o qual era vítima das críticas de Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva, promova uma campanha conscientizadora, a qual possibilite a erradicação de comportamentos etnocêntricos, a fim de coibir o preconceito com os estrangeiros e aversão entre as culturas, por meio de parcerias com os principais agentes televisivos, ampliando o número de pessoas conscientizadas e aumentando a eficiência da ação. Desse modo, corroborando o bem-estar social, ao eliminar a hierarquização cultural e o preconceito com pessoas estrageiras e hábitos culturais diferentes.