A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 19/03/2023

No romance “A hora da estrela”, Clarice Lispector aborda um dos cruéis aspectos da xenofobia, ou seja, o preconceito regional, em que pessoas provindas sobretudo do nordeste acabam sendo alvo de repulsa de nativos do sul e sudeste. Assim, em “Pedagogia do oprimido”, Paulo Freire alerta que é fundamental fortalecer a emancipação do indivíduo por meio do pensamento crítico e libertário, construindo não só consciência como respeito às diversidades. Então, defende-se que é preciso tomar medidas práticas e eficazes no combate à xenofobia no Brasil, uma vez que o discurso de ódio tem ganhado espaço no contexto nacional.

Nesse sentido, para além da ficção, houve a morte do congolês Moïse Kabugambe, assassinado ao tentar cobrar diárias atrasadas em um quiosque da Barra da Tijuca/RJ. No caso, por conseguinte fundem-se preconceitos de raça, origem e aporofobia. Esse imigrante pobre que fugia de seu país por medo das guerras entre hemas e lendus, acabou sendo vítima do ódio contra o diferente no berço da pseudo cordialidade. Deste modo, em um país que foi o último a abolir a escravidão no ocidente, as manifestações racistas ainda são muito reais.

Outrossim, seja no caso Möise, seja no recente caso do trabalho análogo ao escravo nas vinículas da Serra Gaúcha, há crimes com a marca de ódio contra grupos estereotipados. Nessa confluência de asco e desprezo, são vítimas os Möises, os baianos (caso das vinículas) e as Macabéas. Por conseguinte, os migrantes internos ou externos sofrem prejulgamentos e são acusados de tirar os empregos dos locais, em vista disso estão sujeitos a serem vítimas de todos os tipos de violência como visto nesses casos abjetos de intolerância.

Portanto, urge que a escola seja o instrumento de conscientização e de respeito à diferença. Para isso, criar-se-á uma campanha nacional de “Cidadania”, com a contratação de psicólogos e filósofos para ensinar tolerância e empatia pelo outro. Ademais, deve-se lançar filmes educativos a serem veiculados na tv e redes sociais, a fim de valorizar as diferenças culturais dos povos. Por conseguinte, nessas aulas temáticas, obrigatórias para todos os níveis de ensino, poder-se-á mostrar que Paulo Freire pregou a diversidade e respeito ao outro como dispositivos de expansão da consciência cidadã, logo instrumento de tolerância e entendimento.