A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 16/04/2022
“A literatura de ficção é uma mentira que revela verdades”, afirma o escritor Graça Aranha, autor do livro “Canaã” de 1902. Durante o romance, levanta importantes debates acerca de algumas temáticas relevantes no cenário brasileiro da época, a saber xenofobia no Brasil. Fora da ficção, verifica-se, infelizmente, que apesar do tempo transcorrido ainda há persistência da xenofobia. Nesse contexto, a partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só à herança histórica social, mas também à lacuna educacional.
A princípio, a herança histórica é a principal responsável por esse imbróglio. Isso porque, o preconceito com o diferente se instaurou desde a colonização do Brasil, em que os portugueses tinham aversão, por exemplo, ao próprio índio. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a consciência coletiva é um sistema de regras e tradições que exerce pressão sobre o ser humano de maneira a influenciar seu comportamento. Nesse sentido, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que afeta de maneira negativa a sociedade.
Outrossim, a frágil base educacional perpetua essa mazela. Segundo o filósofo Moacir Gadotti, em sua obra “Pedagogia da Práxis”, o modelo de escola atual não oferece propostas significativas para as exigências contemporâneas. Nesse sentido, observa-se uma insuficiência de conteúdos relativos à aproximação do indivíduo com outras culturas, etnias, religiões desde os primeiros anos escolares, diminuindo o contato do estudante sobre a importância de estudar e conhecer o porquê as pessoas de outros países buscam refúgio. Assim, com a carência de um ensino que desperte o interesse dos alunos pela diversidade, a escola contribui para um sentimento xenofóbico e preconceituoso.
Portanto, medidas precisão ser tomadas para superar essa triste situação. Desse modo, o Ministério da educação deve implementar uma nova matéria sobre cultura dos povos, por meio de mudanças nas diretrizes curriculares, com objetivo de ensinar a história de cada povo, para que as crianças cresçam sem reproduzir os erros do passado e possam transformar positivamente o corpo social ao qual estão incluídas. Só assim, a xenofobia estará presente apenas nas páginas ficcionais.