A questão do aborto no Brasil
Enviada em 23/10/2018
Segundo Zigmunt Bauman, em sua concepção de ‘‘modernidade interligada’’, o homem é responsável pelo outro seja de modo explícito ou não. Devido ao mundo globalizado tudo que alguém faz causa impacto na vida do outro. Desse modo, tem sido evidente o descaso social e político sobre a questão do aborto no Brasil. Nesse âmbito, urge a observação das vertentes negativas e positivas da legalização.
Em primeiro plano, vale ressaltar que de acordo com a Constituição Federal de 1988, há a segurança de laicidade do Estado, devendo este ser secular, neutro. No entanto, é evidente uma fuga da realidade legal, na qual a sociedade arraigada pelos princípios retóricos, não permitem que a ação abortiva não seja tratada como uma questão de saúde publica, mas sim religiosa, tendo esses coerção sobre o poder público. Sendo assim, muitas mulheres de baixa renda sem a possibilidade de se realizar o aborto com assistência médica, acabam colocando em risco a própria vida.
Nesse viés, pesquisas realizadas pelo Conselho Federal de Medicina, demonstram que a 4° causa de mortalidade materna seja por conta do aborto. Dessarte, não há condições de defender condutas que impõe princípios próprios, quando se tem imbróglios sociais que são necessários serem sanados. Entretanto, a medicina tem por sua função aliviar o sofrimento humano e não impor exclusão, sendo que uma pessoa que decide interromper a gestação muitas vezes é por conta das dificuldades sofridas e não por vaidade.
Em suma, é importante a busca de uma sociedade ideal na qual haja pelo bem social e não pelos próprios princípios. Com isso, urge que o Poder Executivo, inicie a validade de leis que asseguram a segurança, para que qualquer mulher que sinta a necessidade do fim da gravidez, tenha agentes clínicos que encaminharão para análise das condições físicas e psicológicas da gravida, por meio de psicólogos e médicos que percebam a certa decisão da paciente para efetivar ou não esse aborto, sendo essas no fim de sanar a interrupção sem resguardo e consciência.