A questão do aborto no Brasil
Enviada em 25/10/2018
Durante a antiguidade clássica, em Atenas, as mulheres não eram consideradas cidadãs e tinham de se submeter às decisões políticas provenientes dos homens. De maneira análoga, na contemporaneidade, a mulher tem a liberdade individual restringida pelo conservadorismo político masculino, visto que é impossibilitada de decidir sobre o aborto de acordo com a própria vontade. E assim, agravantes com dimensões imensuráveis são desencadeados na saúde e na vida do sexo feminino.
Sob esse viés, convém enfatizar que a sociedade brasileira possui uma cultura machista por trás ds decisões políticas existentes, desse modo, o processo de gravidez que é exclusivamente feminino não pode ser decidido pela própria mulher. Atrelado a esse fator, o conservadorismo e a religião dentro das esferas constitucionais, apesar de o Estado ser considerado laico, visa a proibição do aborto para as mulheres, pois se pautam em crenças que muitos indivíduos não seguem, mas são submetidos a obedecer. Dessa forma, essa visão adentra-se também nas instituições familiares e escolares, visto que não há diálogo acerca da educação sexual para promover o ensinamento sobre métodos contraceptivos. Em virtude disso, garotas não detém o conhecimento necessário sobre a gravidez, e engravidam, sendo obrigadas a continuar a gestação sem o apoio da família e do pai da criança, consequentemente, por não terem a lei ao seu favor, recorrem a abortos clandestinos que culminam na morte dessa jovem.
Nesse contexto, cabe ressaltar que Foucault em sua obra “Vigiar e Punir”, relata o adestramento dos corpos realizado pela sociedade, na qual as individualidades são desconsideradas e há punição para quem destõe dos padrões estabelecidos. De forma semelhante, além da mulher ter a possibilidade de morrer durante o aborto clandestino, ela pode obter problemas físicos e traumas psicológicos, principalmente por ter de fazer o processo sozinha, afinal, é julgada ou punida caso conte para alguém.
Diante do exposto, é imprescindível que o Ministério da Educação em consonância à ginecologistas e ativistas que lutam por direitos femininos, estabeleçam palestras periódicas em escolas públicas e privadas a fim de ensinar as garotas a se previnirem melhor da gravidez. E também, a lutarem pelos seus direitos dentro da sociedade brasileira, por meio da valorização da mulher contra os machismos existentes nas decisões políticas. E assim, gerar-se-á uma conjuntura social em que as mulheres não tenham os corpos adestrados.