A questão do aborto no Brasil

Enviada em 24/11/2018

Aborto é a interrupção da gravidez, que pode ser espontâneo ou induzido. No Brasil a legislação permite que o aborto seja realizado apenas em casos de estupro, risco à vida da mãe ou anencefalia e é considerado crime quando não são esses casos. No entanto, é grande o número de mulheres que não se encontram nessas situações e realizam abortos inseguros. O aborto traz em questão a moral, religião, ética e outros assuntos que fazem o assunto ser polêmico, porém é de grande importância saber como realmente funciona o aborto e quais são os mitos que falam sobre o tema.

A maioria da população brasileira se posiciona contra o aborto, por considerar assim como previsto na lei, que é um crime contra a vida. Tratam o aborto como eutanásia e não deveria ser realizado em hipótese nenhuma. Há estudos que demonstram que o feto pode sentir dor. Por esse motivo, muitos consideram que deveria ser totalmente proibido, principalmente, em estágios mais avançados da gestação, que tornam o aborto mais complicado. Mas não é bem assim.

O aborto não é perigoso, pois mais de 99,75% dos abortos não causam problemas médicos importantes. De acordo com um estudo realizado em 2014 pela Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF), que monitorou 55 mil mulheres por seis semanas após seus abortos, menos de um quarto de 1% dos abortos realizados nos Estados Unidos levaram a complicações graves de saúde. O feto não consegue sentir dor antes da 24ª semana de gravidez, no mínimo. Especialistas diversos que vão da Real Faculdade de Obstetras e Ginecologistas, do Reino Unido, até o Congresso Americano de Obstetras e Ginecologistas, concordam com esse prazo. As mulheres com a legalização do aborto não serão coagidas a abortar e não serão todas que abortarão, pois pesquisas informam que em países que a legalização do aborto foi feita, as taxas de abortos caíram bruscamente e foi não foi criada uma “banalização” do aborto, as mulheres tiveram mais consciência em relação a esse ato e pelo menos os abortos são feitos com dignidade, não em situações precárias.

Esses foram apenas alguns mitos que foram desmitificados, pois é assim que a sociedade tenta impor regras para a mulher não ter liberdade sobre seu corpo, mas a cada ano, 250 mil mulheres são internadas pelas complicações provenientes de abortos inseguros, realizados por profissionais despreparados e em lugares sem condições adequadas de higiene. Esta é a quinta maior causa de mortalidade materna no Brasil. Embora a lei brasileira admita a prática do aborto nos casos especiais, ele é ilegal. Dessa forma, a sua criminalização impede que as mulheres que não desejam prosseguir com a gestação não contem com a ajuda do Sistema Único de Saúde (SUS), incentivando a busca pelo aborto clandestino – o que torna o assunto uma conhecida e importante questão de saúde pública.