A questão do aborto no Brasil
Enviada em 26/11/2018
Atualmente, vivemos em uma sociedade desprovida de valores, onde é comum matar, roubar e usar drogas, onde o prazer sexual vem acima de idade, de sexo e de maturidade suficiente para aceitar as consequências de uma futura gravidez, portanto, dia após dia, vemos que o número de abortos tem aumentado. E junto com isso, vem a duvida, se é possível ou não, legalizar o aborto.
É simplismo da sociedade criminalizar o aborto como forma de conter o aumento dos seus casos. A proibição do ato, dessa forma, fomenta a existência de um ‘‘mercado negro’’ em que mulheres abortam sem qualquer segurança para a sua saúde. Essa realidade pode ser comprovada com o documentário ‘‘Clandestinas’’ o qual interpreta relatos de mulheres que interromperam a gravidez de maneira anônima. Nesse caminho, vale ressaltar a preservação do direito à vida dessas pessoas, conforme a Declaração Universal dos Direitos Humanos, já que existe uma forte relação entre proibir o aborto e matar mulheres. Portanto, a manutenção da lei que o proíbe estimula, não raramente, a clandestinidade do ato e também o seu crescimento.
Tratar o aborto, entretanto, como uma questão de saúde pública seria uma alternativa para conter o seu avanço, uma vez que ele já acontece clandestinamente. Parafraseando ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’, de José Saramago, nesse contexto, a sociedade que não olha para tal prática como um problema de saúde da mulher está expressando apenas o seu interesse individual ao julgar incorreto o aborto sem considerar o risco de vida dessas vítimas. Desse modo, a cegueira moral da sociedade, em penalizar aquela que aborta, deve ser combatida, e apesar de haver soluções prévias para uma gravidez indesejada, a decisão, indiscutivelmente, deve ser da mulher, afinal, a vida dessas 20 milhões de vítimas supracitadas tem o seu valor. Por isso, defender a legalização do aborto não é favorecer a prática do mesmo, mas sim uma maneira de amenizar a penalização e o julgamento da mulher que não é acolhida por praticá-lo.
Dessa forma, é necessário que o Governo assuma sua responsabilidade dando a legalidade necessária para o aborto legal, por meio de incentivos ficais à hospitais privados abrirem clinicas de abortos que só serão utilizadas com a liberação do Governo, pois terceirizando a medida não será obrigatoriedade do Estado fornecer a ação, mas apenas legitima-la. Assim, as empresas privadas forneceram a infraestrutura necessária para o aborto, não comprometendo a saúde da mulher e superando essa problemática.