A questão do aborto no Brasil

Enviada em 19/01/2019

Durante séculos,a mulher tem sofrido com a negação de direitos e liberdades,inclusive com a falta de autonomia sobre seu próprio corpo.Não obstante,com o advento do empoderamento feminino e das ideias feministas a posição feminina na sociedade foi alterada.Dentro dessa perspectiva, a questão da legalização do aborto ganha destaque,no entanto acreditar que a decisão de interromper a gravidez deveria pertencer tão somente à mulher é um grande equívoco.

O ordenamento jurídico brasileiro permite a interrupção da gravidez em três situações:quando há risco de vida para gestante,em caso de anencefalia e,por fim,havendo estupro.Entretanto,existe uma parcela da sociedade que reclama o direito da mulher-em qualquer situação- poder escolher se quer ter o filho ou não.Esses defensores da descriminalização do aborto alegam que tal medida é necessária,porque ela evitará que mulheres se arrisquem ao fazer o procedimento clandestinamente.Além de afirmarem que o corpo é da mulher e,portanto,cabe a ela o poder de escolha.

Todavia,esses são argumentos que não se sustentam,pois segundo a Organização Mundial da Saúde,mesmo o aborto sendo realizado em locais bem equipados e com profissionais qualificados,o risco continua sendo muito grande,muito maior do que durante o trabalho de parto,por exemplo.Já sob o aspecto da autonomia da mulher sobre o corpo dela é fundamental lembrar que o abortamento não destrói uma parta da anatomia feminina,mas sim uma vida.Ou seja,o direito mais elementar da Constituição brasileira é violentamente destroçado no momento em que o aborto é praticado.

Destarte,se o aborto envolve uma questão de saúde pública,descriminalizá-lo está longe de ser o remédio para a situação.Para  se evitar que mulheres morram ao se submeter a procedimentos abortivos,a saída passa por investimentos do Estado em políticas públicas que fomentem o planejamento familiar e a ampliação do uso dos métodos contraceptivos.Ademais,a escola precisa levar para dentro das salas de aulas discussões acerca da educação sexual.Assim,as mulheres,sobretudo as mais pobres,terão maior informação sobre sexo,sexualidade e tudo por trás do aborto.