A questão do aborto no Brasil

Enviada em 22/07/2019

No livro “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire, é exposto aos leitores a relação do opressor ao seu mal reconhecimento como agente da opressão. Paralelamente, quando se refere aos direitos das mulheres na escolha da continuação de uma gravidez, o machismo reina no Governo; impedindo-as de tomarem decisões por si e lhe impondo a proibição da execução do aborto como “castigo” pelos seus atos sexuais.

A priori, com a intenção de entender sobre os suplícios ao longo dos anos, Michel Foucault, em sua obra “Vigiar e Punir”, identifica as maneiras de punições na sociedade. Por sua vez, nos dias atuais, a comunidade não fala sobre sexo, pois o mesmo é visto como um tabu. Dessa forma, a obrigação de continuar uma gravidez indesejada, por exemplo, pode-se representar um suplício no século XXI devido à relação sexual de uma mulher, sendo essa uma prática natural designada apenas aos homens.

Por conseguinte, devido à cultura empregada no meio social é ocultado, ou mesmo esquecidos, os benefícios que a legalização desse direito da mulher pode levar a comunidade. Por exemplo, o livro de Economia “Freakonomics” afirma que a variável mais influente responsável para o declínio da criminalização nos Estados Unidos foi a Legalização do aborto. Por sua vez, segundo uma pesquisa, 48% das gravidas do Brasil estão na classe E, as quais sobrevivem com apenas 75 reais por mês; será que elas terão condições financeiras de cuidar de seus filhos?

Logo, o Brasil, conhecido por seus altos índices de criminalidade, precisa tomar medidas para solucionar tal pensamento social. Cabe ao Governo abrir o debate nas escolas sobre a educação sexual, através de rodas de conversas e aulas sobre a temática abordada. Como também, é de sua responsabilidade disseminar, por meio da mídia, a conscientização sobre o  machismo e, por sua vez, o uso adequado da camisinha e conversas com os familiares sobre sexo. Dessa forma, teremos como efeito  a desconstrução desse tabu, fazendo que assim o índice de gravidez indesejada também diminua, junto à prática do machismo na sociedade.