A questão do aborto no Brasil
Enviada em 18/04/2019
Em 1988, foi promulgado no artigo sexto da Constituição Federal, que um dos objetivos fulcrais do Estado é assegurar e promover a segurança e o bem-estar social a todos os cidadãos. Contudo, na contemporaneidade brasileira, em virtude da negligência governamental e do preconceito da sociedade, ocorre a perpetuação e a recorrência de hostilidades, o que, por conseguinte, obriga a população feminina buscar locais insalubres e inadequados para práticas do aborto. Essa conjuntura acomete imensuravelmente os envolvidos e deve, portanto, ser combatida.
Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui aspectos governamentais impecáveis. Contudo a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido na falta de apoio à população feminina que opta pelo aborto, uma vez que a legalização acabaria com a clandestinidade e, consequentemente, com o crescente número de mortes por inadequação hospitalar e médica. Consoante Aristóteles, no livro “ética a nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. Destarte, é evidente que sua posição na economia mundial não faz jus aos problemas supracitados.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse na conquista da legalização do aborto. Tristemente, a existência da discriminação contra as mulheres é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para a crescente do empoderamento feminino.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas, o qual promova palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito do cotidiano das mulheres e toda sua luta pela igualdade de gênero e respeito de opiniões - uma vez que, ações culturais coletivas têm imenso poder transformador - a fim de que a comunidade escolar e a sociedade no geral - subsequentemente - conscientizem-se. Assim, o que consta no texto constitucional, será plenamente exercido no país.