A questão do aborto no Brasil

Enviada em 01/05/2019

A ideia de que o instinto maternal está presente em todas as mulheres e que estas nasceram necessariamente para ser mães,é um pensamento ainda comum nos dias atuais.De forma que a gravidez permeia grande parte das questões da vida feminina,em um contexto no qual a sexualidade permanece sendo um tabu e o aborto uma opção indiscutível e inacessível  para muitas.

No Brasil,a interrupção da gravidez é proibida e qualificada como crime,salvo em casos de estupro,risco à vida da mulher ou feto anencéfalo.

No entanto,o aborto continua sendo praticado e em números alarmantes,na maioria das vezes em condições extremamente precárias e  de maneira desumana.São mulheres que se sujeitam às mais diversas práticas abortivas por não possuírem recursos financeiros para arcar com um procedimento adequado e seguro,oferecido em clínicas clandestinas de luxo.Essa realidade tem se tornado comum e ocasionado a morte de muitas mulheres.

Além disso,mulheres que decidem realizar esses procedimentos se encontram em situação de extremo desamparo,por parte do Estado,de seus companheiros e até mesmo dos familiares.De maneira que não possuem estrutura psicológica para lidar com a responsabilidade de uma nova vida a caminho,nem condições de oferecer a ela um desenvolvimento pleno.Nesse sentido,o acesso a métodos de interrupção da gravidez adequados e a orientação de profissionais preparados poderia ser decisiva para que a mulher optasse até mesmo por continuar a gestação.

Logo,torna-se de extrema urgência reconhecer que o aborto é uma questão de saúde pública e que medidas devem ser tomadas para ser tratado como tal perante a lei.Cabe ao Governo descriminalizar essa prática,tornando-a lei e direito da mulher.Juntamente com o Ministério da Saúde,que deve promover campanhas informativas sobre a questão do aborto e oferecer apoio e atendimento a essas mulheres.Afinal,abortar é uma escolha que cabe apenas à mulher.