A questão do aborto no Brasil
Enviada em 19/05/2019
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma pedra montanha acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o rochedo, contudo, era vencido pela exaustão, assim, a pedra retornava a base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se a luta das mulheres, na qual, batalham diariamente pela legalização do aborto, mas não são ouvidas. Diante da criminalização deste ato, milhares de gestantes morrem a cada ano, devido práticas clandestinas e ilegais, onde leva-se assim, a necessidade de legalização desta prática.
Primeiramente, observa-se na obra, O crime do padre Amaro, de Eça de Queiroz, uma cena cotidiana da sociedade atual, onde Amaro leva Amélia para fazer um aborto, e está, acaba a óbito durante o procedimento. Analogamente, este é um sério problema da contemporaneidade, visto que está prática é a quarta maior responsável pelas mortes maternas, na qual ocasionou 181 mil mortes no ano de 2015. Criminalizar este procedimento, não diminuirá o número de óbitos, pelo contrário, somente incentivará a busca por clínicas clandestinas, e consequentemente maior complicações, falecimentos e internações.
Em segunda análise, verifica-se tamanha desigualdade existente, quando se trata de práticas abortivas. De acordo com o médico Drauzio Varella, “Aborto já é livre no Brasil. Proibir é punir quem não tem dinheiro” onde legitimiza-se uma elitização do ato. Na qual, a madame rica da alta sociedade, faz este procedimento em clínicas especializadas fora do país, enquanto a mulher pobre, negra da periferia, fica com as consequências, bem com transtornos psicológicos, morais, e até mesmo a morte.
Diante dos fatos, para que haja a diminuição do número de mortes causadas por esta prática clandestina, faz-se necessário que o governo federal, legalize o aborto, por meio de um decreto, constitucional, na qual o indivíduo que realizar este procedimento, não esteja mais cometendo um crime. Além disso, cabe ainda ao governo, a criação de clínicas especializadas, como também uma maior capacitação médica e profissional, como atendimento psicológico a mulheres que desejarem a realização deste procedimento. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego, e as “Sísifas” brasileiras vencerão o desafio de Zeus.