A questão do aborto no Brasil
Enviada em 07/06/2019
Motivadas pelas mudanças da Revolução Francesa, no século XIX, as mulheres começaram a lutar por igualdade de direitos, no qual iniciou-se o Movimento Feminista. É indubitável que o feminismo concedeu inúmeras vitórias às mesmas, contudo, ainda há questões a serem vencidas em prol da aquisição de uma total autonomia feminina sobre seu corpo, como a legalização do aborto no Brasil. Diante disso, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
A princípio, nota-se uma grande problemática: segundo o Universa UOL, frente à ilegalidade do aborto, durante a gravidez, muitas gestantes escolhem parir, mesmo sem condições. Logo, isso reflete em mais de 47 mil crianças em abrigos no Brasil, só em 2017, e 5,2 milhões em situação de estrema pobreza, segundo o G1. Outrossim, isso configura uma enorme falta de liberdade de escolha para as mulheres, na qual, ainda, evidencia-se vestígios de uma sociedade patriarcal.
Ademais, salienta-se outro problema: de acordo com a revista Época, fazer de conta que o aborto, por ser ilegal, deixa de ocorrer é condenar 500 mil mulheres brasileiras todos os anos aos riscos de um procedimento clandestino. Um estudo publicado no periódico britânico The Lancet em 2016 comprovou que em países onde o aborto foi legalizado houve uma queda tanto no número de procedimentos quanto no de mortes maternas. Assim, para Maquiavel, não há nada mais difícil do que tomar a frente na introdução de uma mudança, mas, nesse contexto, isso se faz preciso pois vidas podem ser poupadas.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver essa questão. O Poder Público deve, o quanto antes, aprovar leis que legalizem o aborto e amparem a gestante, por meio do acompanhamento psicológico e psiquiátrico durante o requerimento desse procedimento. Assim sendo, essas poderão tomar decisões seguras, de modo que as crianças não sofram com a falta de opções de seus pais e as mulheres possam ter liberdade sobre seu corpo e controle do futuro da sua vida.