A questão do aborto no Brasil

Enviada em 02/09/2019

A maior parte da população do país declara ser contra a prática do aborto, concordando com a situação atual. Existe também a opinião de que o aborto não é matéria para plebiscito, mas uma questão de saúde pública e que, como tal, deve ser decidida pelo Estado e não julgada pela maioria. Segundo a antropóloga Débora Diniz, em algumas cidades do Brasil, o aborto clandestino é a segunda maior causa de morte materna. A religião ou opinião de alguém não deveria ser priorizada diante da quarta causa de morte materna no Brasil. Devido a urgência, precisa-se não apenas a descriminalização, mas sim a legalização, para que até mesmo as mulheres mais pobres tenham o direito de uma saúde segura e adequada.

De acordo com Melania Maria Ramos de Amorim, em pesquisas realizadas, mais de 500 mil mulheres praticaram aborto, então são cifras muito elevadas onde vive-se numa legislação proibitiva. Segundo ela, as evidências demonstram também que os países com legislação proibitiva praticam tanto quanto, ou até mais abortos que os países com legislação mais permissiva. Ou seja, uma legislação proibitiva não é efetiva em reduzir os abortos e o grande problema é que os países que a legislação é proibitiva como aqui no Brasil, as mulheres recorrem a soluções perigosas. E quais são as mulheres que vão recorrer a soluções inseguras? As mulheres mais pobres, de baixa escolaridade e as negras, que têm o risco de morrer em complicações com aborto três vezes mais do que as brancas. Essas soluções acarretam sequelas inadmissíveis, causando hemorragia, infecção, choque séptico, complicações de longo prazo e morte.

Diante disto, uma solução seria o estado legalizar o aborto, dispondo profissionais da área na rede de saúde pública gratuita, para que todas as mulheres tenham direito à merecida saúde e respeito por suas decisões pessoais. Afinal, o feto morto não comove, se vê isso no desrespeito com os abortos espontâneos de quem quer a maternidade, exemplo de Kiwi Bertola, que ouviu “Fica triste não, perder assim é normal” e disse “Falamos assim de alguém que perdeu um filho de 3 anos? Não”.