A questão do aborto no Brasil

Enviada em 13/07/2019

O futurista Alvin Toffler disserta sobre a importância de aprender, desaprender e reaprender. Não obstante, a questão sobre o aborto no Brasil coloca a prova a sua ação. Tal fato, reverberado pela desinformação, a qual gera extremo prejuízo não só ao gênero feminino, mas também à saúde pública. Em que devido a isso demanda-se uma ação mais decisiva de autores estatais e sociais para conter a problemática. Ademais, faz-se necessário analisar a classe desfavorecida, fomentada pela desigualdade de direito, bem como o influxo político como desafio para superar a reprovação comunal.

Com efeito, ao inferir sobre a classe desfavorecida, segundo o DataSUS, mais de 300 mil mulheres aborta no Brasil- e 48% são pertencentes a classe E, e menores de 16 anos; ou seja, a falta de orientação e informação sobre a sexualidade, ainda “estigmatizado” por crenças ideologias se coaduna com esse índice preocupante. Dessa forma, convém atestar a manutenção de costumes conservadores, os quais paralisam as decisões de direitos e coloca em risco a mulher vitimizada. Por conseguinte, a antropóloga Débora Diniz destaca a importância da descriminalização do aborto para possibilitar discutir sobre o assunto abertamente e traçar ações protetivas e preventivas.

Outrossim, na tangente à perspectiva da precária gestão pública, observa-se a sua fortificação pela ação negativa de um contexto política. Nesse ínterim, a base condicional insalubre leva a mulher ao aborto. Segundo a Pesquisa Nacional do Aborto de 2016 violência sexual, relação desprotegida e a superioridade masculina frente às vontades femininas, corroboram nessa ação. Entretanto, basear-se em evidências empíricas é fulcral para enfatizar a necessidade de reajustar as leis, e alinha-las de acordo com as transformações sociais. Pois de acordo com o Filósofo Êmile Durkeim, o círculo educacional é um caminho para conciliar valores, normais e costumes a serem aplicados na desconstrução de tabus que fragmentam os direitos básicos regidos pela constituição.

Diante do exposto, realça-se a dualidade social, a qual impede a descriminalização do aborto. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve promover projetos engajados, por meio de novelas- um canal reconhecido culturalmente- os quais mostrem sobre os malefícios sofridos pela mulher ao serem impedidas de exercer o seu direito de cidadania, a fim de estimular a reflexão e, então, o conhecimento seja uma alternativa para mudar opiniões que não a protegem. Além disso, o Ministério da Educação deve promover estudos empíricos, que denotem as mazelas de saúde, por meio de levantamentos epidemiológicos de todas as áreas, com intuito de garantir a aplicação do atendimento humanizado de maneira integral e equânime que se tem por direito. A partir disso, o discurso de Toffler se torne válida.