A questão do aborto no Brasil
Enviada em 20/07/2019
Interrupção da gravidez
Segundo dados do Sistema Único de Saúde, a cada dois dias, uma mulher morre devido a complicações causadas por procedimentos abortivos, os quais, são efetuados em locais insalubres e inapropriados. Nesse sentido, a descriminalização do aborto volta a pauta de discussão, no entanto essa medida é paliativa, não ataca as causas, mas sim, as consequências desse problema.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, países onde a aborção é considerada “feticídio”, sendo criminalizada, não obtiveram redução no índice de procedimentos e mortes. No Brasil, o aborto é permitido em três casos: feto anencéfalo, estupro e quando há risco de vida para a mãe. Fato esse, quer ser alterado pelos defensores da legalização, expandindo a permissão para casos de microcefalia e interrupção da gravidez até o décimo segundo dia de gestação, afirmando que nesse período o feto não tem batimentos cardíacos.
Entretanto, ao se escolher quem deve ou não nascer, as pessoas podem estar selecionando, criando uma espécie de eugenia. Decerto, faltam medidas preventivas. Nas instituições de ensino, a sexualidade ainda é tratada como um tabu, dificultando a discussão e o aprendizado, seja sobre métodos contraceptivos, seja do planejamento familiar. Quanto ao sistema de saúde, faltam investimentos em centros especializados para acolhimento de mulheres vítimas de estupro.
Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de mitigar as causas do aborto. Cabe ao executivo investir em centros para o acolhimento, evitando a marginalização das mulheres, reduzindo precedimentos clandestinos e mortes. A escola, deve desmistificar a sexualidade, incorporando aulas com profissionais da área da saúde, com intuito de informar sobre anticoncepcionais e evidenciando a questão do aborto, para minimizar casos de gravidez precoce. Somente após a análise dos resultados, avaliar a legalização do aborto.