A questão do aborto no Brasil

Enviada em 22/08/2019

Num contexto moral, a ideia da expansão da legalidade do aborto tende a ser rejeitada no Brasil. Rejeição geralmente baseada no argumento que alega o direito de vida do embrião, muitas vezes sustentado por uma vertente de raciocínio religioso e cultural. Entretanto, apesar do sustento ideológico moral, quando se trata de condições sociais da população brasileira, a medida torna-se viável e eticamente aceitável.

No Brasil, existe uma lei com a função de punir mulheres que recorrem a esse tipo de procedimento cirúrgico (art. 124). Entretanto, a desigualdade social entre classes faz com que esta medida se torne hipócrita, já que não se pode exigir planejamento familiar de alguém à qual nunca foi ensinado sobre. Isso se trata do fato de o Estado não dar sustento suficiente às classes mais baixas em relação a informações sobre natalidade e cuidados sexuais.

Quando se trata de classes sociais, o aborto tem resultados diferentes: Uma mulher de classe média ou alta tende a procurar ajuda médica de segurança razoável. Em contrapartida, mulheres de classes mais baixas, por falta de renda, optam muitas vezes por um serviço menos seguro e acabam se submetendo a maiores riscos, como hemorragias, perda do útero e até morte.

Além dos riscos de saúde, de acordo com dados da ONU, a gravidez na adolescência está ligada ao agravamento da desigualdade social no Brasil, já que as jovens de classes sociais mais baixas, por terem menos acesso a informações, são mais suscetíveis a terem uma gravidez indesejada. Isso torna suas opções de desenvolvimento econômico e intelectual mais restritas, já que muitas se vêem na obrigação de não frequentar mais a escola, faculdade ou trabalho para cuidar de seus filhos.

Portanto, a legalização do aborto, por ter o intuito de valorização da saúde da mulher e diminuição da desigualdade social no Brasil, deve ser reconhecida como medida legal, e o Ministério da Saúde deve implantar em hospitais a opção de aborto gratuito e seguro, para que todas as mulheres, independente de suas rendas financeiras, possam recorrer ao procedimento sem correr riscos graves de saúde. Essa medida fará com que mulheres no Brasil tenham maior segurança e possibilidades em relação aos seus futuros.