A questão do aborto no Brasil
Enviada em 23/08/2019
Mais de 25 milhões de abortos inseguros são realizados anualmente no mundo, segundo a OMS, principalmente nos países em desenvolvimento, onde os mesmos são proibidos. Assim, tal estatística demonstra o grande contingente de mulheres que precisam arriscar a vida para realizar esse procedimento. No Brasil tal problemática é recorrente, graças à criminalização e o preconceito social, o que compromete a saúde da mulher e representa um problema de saúde pública.
A priori, a criminalização é um dos agravantes para o grande número de abortos clandestinos e suas implicações para a saúda pública brasileira. Para endorsar isso, dados do SUS - Sistema Único de Saúde - mostram que cerca de 142 milhões foram gastos com 250 mil internações por problemas pós - aborto. Ademais, esse dado além de apresentar uma visão geral sobre a quantidade exorbitante de complicações, revela o custo alto dos abortos clandestinos para a saúde pública. Dessa maneira, torna - se evidente a necessidade de legalizar esse procedimento, para garantir a realização de um aborto seguro para a saúde feminina e evitar assim complicações que gerariam ainda mais gastos.
Igualmente, vale destacar o preconceito social sofrido pela mulher ao realizar um aborto no Brasil. Nesse sentido, consoante ao conceito de “fato social” do sociólogo Émile Durkheim, a mulher que realiza um procedimento abortivo é marginalizada por fugir do padrão religioso imposto pela sociedade. Ainda, como aponta a Pesquisa Nacional do Aborto, um quinto das mulheres brasileiras fazem aborto, ou seja, esse é o número alto de moças que além de se submeterem a procedimentos clandestinos - ao fazer uma prática ilegal - ainda tem que enfrentar a discriminação e exclusão social, frente a uma sociedade patriarcal que desconsidera a saúde física e psicológica dessas mulheres. Diante disso, são imprescindíveis discussões que busquem desconstruir preconceitos e integrar essas mulheres.
Em suma, é notório como o aborto é um problema de saúde pública tratado com grande preconceito na sociedade brasileira. Logo, urge que o Congresso Nacional realize a descriminalização do aborto, através de leis e diretrizes que regulamentem o procedimento, a fim de que instituições públicas de saúde possam realizar o mesmo segundo a legislação, para garantir uma maior segurança à saúde das mulheres brasileiras. Outrossim, é mister que o Ministério da Saúde em parceria com as mídias sociais incentivem a sociedade a respeitar a decisão individual de optar pelo procedimento, através de campanhas audiovisuais com especialistas, depoimentos e estatísticas, com o fito de promover o respeito e a integração das mulheres que passaram por um aborto.