A questão do aborto no Brasil
Enviada em 01/09/2019
Tem-se a questão do aborto no Brasil como um fator de polêmica, de discussão, principalmente por viés ideológicos religiosos. Entretanto, trata-se de saúde pública e não deve ser discutido se legalizará ou não, e sim montar estratégias eficazes para ajudar as mulheres que recorrem a esse método. Vale destacar que mesmo sendo ilegal, para alguns casos diferentes de estupros, risco da vida da mãe ou de deformidades do bebê, o aborto ainda é recorrido e feito, porém mulheres bem favorecidas conseguem procurar um bom auxílio médico, enquanto as mais pobres tem defasagem nesse auxílio.
Consoante a Karl Marx, a sociedade é divida em burguês e proletariado, analogia as classes mais elevadas e as mais baixas, e esse pensamento do século passado persiste até os dias atuais. Nesse contexto, as mulheres que estão nas classes mais altas tem recursos para concretizar o seu aborto com menos riscos de sofrerem danos físicos, pois conseguem pagar bons médicos e clínicas preparadas para esse procedimento mesmo em condições ilegais. Enquanto mulheres menos favorecidas recorrem a métodos mais agressivos, como remédios, com auxílio médico barateado ou até mesmo sem este, dessa forma a sua vida pode ser colocada em risco.
Mesmo que a religião seja uma base social, uma Instituição Social, de acordo com a Sociologia, ela não deve interferir na saúde. A questão do aborto é uma questão política e somente política, porque envolve o bem estar populacional e a promoção da qualidade de vida, refere-se a uma questão humana, de modo que o fator religião não deve ser recorrido. Ademais, há países onde esse procedimento foi legalizado e as taxas caíram, como ocorreu em Portugal e na Espanha, ou seja, o aborto não torna-se um método ‘‘contraceptivo’’ quando legalizado, mas sim na preservação da saúde da mulher.
Em suma, o Estado deve promover políticas públicas para atender toda a população, principalmente a população mais pobre, de modo a propiciar a equidade nesse assunto. Legalizando o aborto, e, urge ainda, um acompanhamento psicológico a essas mulheres antes e depois do procedimento, a fim de que não ocorra prejuízos tanto físicos quanto mentais. Ademais, o Estado com os aparatos da propagandas e das notícias deve buscar informar a população a respeito do aborto de maneira mais humana e menos religiosa, para que os cidadãos realmente entendam a importância da saúde pública que envolve o aborto. Só então quando houver equidade entre as mulheres na saúde e a população esteja informada, a sociedade brasileira será mais desenvolvida no futuro.