A questão do aborto no Brasil
Enviada em 05/09/2019
Viver com dignidade A legalização do aborto é um dos maiores tabus da sociedade hodiernamente. No debate, os números sobre a interrupção da gravidez são usados tanto por quem é anti-aborto, quanto por quem luta pela descriminalização, porém as lacunas de informações ainda são invisíveis. Assim, questões de estigma social e precariedade de atendimento contribuem para esse cenário. A priori, segundo o Ministério da Saúde, uma mulher morre a cada 2 dias por causa de aborto inseguro. Nesse contexto, os pró-escolha – defensores da liberdade individual das mulheres ao poder optar entre ter ou não um filho. Tal movimento defende os direitos reprodutivos e a educação sexual. Logo, caso haja a escolha de interromper a gravidez, que seja feita de forma segura e legal pelo SUS. Sob esse viés, milhares de brasileiras morrem por não terem o direito ao aborto garantido, mesmo quando legalizado, visto que falta informação, há recusa de profissionais de saúde em realizar o procedimento e questões ligadas ao estigma social, especialmente nos casos de estupro, devido a dificuldades em denunciar o crime. Sendo assim, percebe-se que o conservadorismo por parte do Estado e da sociedade passa por cima da vida das mulheres e atropela seus direitos. Destarte, é possível constatar que a legalização do aborto é uma questão complexa de saúde pública. Nesse ínterim, observa-se o direito da mulher e o exercício de autonomia do seu próprio corpo ser decidido por um Estado, em sua maioria representado por homens. Assim, homens, os quais não passam pelo processo da gravidez, decidirão sobre a liberdade dessas mulheres. Portanto, o direito à vida não pode ser compreendido apenas na perspectiva de estar vivo, mas de viver com dignidade.